Comprar do exterior ficará muito mais caro para americanos

Comprar do exterior ficará muito mais caro para americanos

Os Estados Unidos têm um novo imposto sobre praticamente todos os itens que cruzam suas fronteiras: 10%.

A tarifa universal entrou em vigor neste sábado (5) à 0h01 (horário do leste dos EUA), depois que o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva no início da semana exigindo um imposto de base para todas as importações. O anúncio provocou protestos de parceiros comerciais dos EUA — aliados e adversários — além de empresas, investidores e consumidores americanos.

Economistas temem que essas tarifas — as mais altas impostas pelos EUA em um século — empurrem o país e o mundo para uma recessão. Os mercados despencaram, e a retaliação tarifária da China, anunciada na última sexta-feira (4), deu início a uma guerra comercial em larga escala.

E Trump não pretende parar por aí.

Na última quarta-feira (2), os Estados Unidos devem impor tarifas “recíprocas” significativamente mais altas sobre diversos países com os maiores desequilíbrios comerciais em relação aos EUA. Trump também já impôs tarifas sobre automóveis, aço e alumínio. Produtos específicos do Canadá e do México foram taxados em 25%.

As tarifas sobre autopeças devem entrar em vigor até, no máximo, maio. E Trump também ameaçou impor tarifas sobre madeira, produtos farmacêuticos, cobre e microchips, entre outros itens.

Trump tem tratado as tarifas como uma espécie de panaceia: uma varinha mágica econômica que ele pode usar para restaurar o poderio industrial dos EUA, forçar outras nações a ceder em disputas comerciais, equilibrar a balança comercial e gerar grandes receitas para ajudar a pagar a dívida nacional e reduzir os impostos dos americanos.

Economistas concordam, em parte, que as tarifas podem cumprir algumas dessas promessas: quando bem aplicadas, podem estimular a produção interna ao tornar os produtos estrangeiros mais caros. A arrecadação com tarifas também pode ajudar a compensar parte do déficit.

E muitos americanos que votaram em Trump esperam por mudanças. Apesar da recuperação da economia após a pandemia — pelo menos nos indicadores — muitas pessoas se sentem excluídas. Acordos de livre comércio aceleraram o fechamento de fábricas em algumas regiões, criando cidades fantasmas e a deterioração de empregos industriais.

Mas as tarifas de Trump buscam remodelar a economia global de uma só vez. O objetivo é reviver uma era de fábricas em plena atividade, algo que muitas empresas hesitam em fazer, mesmo diante de impostos mais altos sobre as importações. Trump promete o retorno da “era de ouro” dos empregos industriais.

Contudo, se Trump não negociar reduções tarifárias, suas medidas podem causar mais danos à economia dos EUA do que aos países-alvo — e mergulhar o país em uma recessão dolorosa.

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