O evento promocional da Amazon, Prime Day, está perdendo seu brilho entre um grupo importante: os vendedores.
Alguns comerciantes dos Estados Unidos que anteriormente vendiam produtos fabricados na China durante o principal evento da Amazon decidiram ficar de fora ou reduzirão a quantidade de produtos com desconto que oferecerão este ano.
As decisões fazem parte da estratégia dos vendedores de protegerem margens de lucro em meio à guerra comercial entre Estados Unidos e China, de acordo com quatro comerciantes e seis consultores que assessoram coletivamente centenas de vendedores da Amazon.
Entre eles está Steve Green, que vende bicicletas de US$ 230 e skates de US$ 60 produzidos na China no marketplace online da Amazon. Green disse que vai pular o Prime Day, que acontece em julho, pela primeira vez desde 2020.
Green está retendo mercadorias que importou antes das tarifas de Trump entrarem em vigor em 9 de abril, para vendê-las posteriormente pelo preço integral. As tarifas da China, que estão em 145%, mais que dobrarão os custos de mercadorias recém-importadas, tornando-as “inacessíveis”, disse ele.
Da mesma forma, Kim Vaccarella, presidente-executiva da empresa de sacolas de fabricação chinesa Bogg Bag, também decidiu não participar do Prime Day este ano para manter parte de seu estoque não vendido nos EUA, que ela espera vender em lojas de departamentos do país pelo preço integral ou com descontos menores.
A executiva afirmou que a empresa interrompeu a produção das Bogg Bags na China, que custam entre US$ 70 e US$ 200 na Amazon, enquanto trabalha para transferir a produção para o Camboja e o Vietnã.
O Prime Day tem sido tradicionalmente um dos maiores eventos de compras da Amazon do ano, atrás da Black Friday e da Cyber Monday, respectivamente. E embora a participação seja opcional, a Amazon gasta milhões promovendo o Prime Day em anúncios na televisão e nas redes sociais.
A Amazon tem cerca de 200 milhões de assinantes Prime em todo o mundo.
As tarifas de importação sobre os produtos dos vendedores estão colocando a Amazon em uma posição incômoda para o Prime Day, disse Arun Sundaram, analista da CFRA Research.
“A Amazon ficará bem, mas sinto muito por alguns dos vendedores terceirizados: eles são os que serão mais prejudicados neste ambiente”, disse Sundaram.
Um porta-voz da Amazon disse que a empresa está tendo uma “forte resposta dos parceiros de vendas ao Prime Day 2025”.
O prazo para optar por participar do Prime Day é 23 de maio, de acordo com um consultor de vendas. Uma retração por parte de comerciantes terceirizados pode significar menos receita de anúncios para a Amazon, além de uma seleção mais limitada de itens com desconto. Em anos anteriores, o evento gerou vendas significativas e novas assinaturas Prime, que custam US$ 14,99 mensais ou US$ 139 anuais.
Rick Sliter, presidente-executivo da empresa de travesseiros MedCline, que vende travesseiros terapêuticos de US$ 250 feitos na China e no Vietnã, disse que provavelmente não oferecerá descontos durante o Prime Day, embora o evento do ano passado tenha gerado vendas sete vezes maiores do que em um dia normal.
“No ano passado, o Prime Day foi uma escolha óbvia”, disse Sliter. “Mas se as tarifas continuarem, os descontos serão jogados fora”.
O Prime Day geralmente reduz a lucratividade dos comerciantes, disse Sundaram, porque há muitos descontos em comparação com um dia normal. O vendedor médio da Amazon obtém cerca de 15% a 20% de uma venda como lucro, após o custo dos produtos vendidos e as taxas da Amazon, de acordo com consultores.
A Amazon cobra uma comissão de 15% sobre cada unidade vendida, sem incluir as taxas exigidas para anunciar e hospedar descontos no Prime Day.
Os vendedores pagam à Amazon US$ 1.000 para que um desconto seja destacado como “Melhor Oferta” ou US$ 500 para que um item seja destacado como “Oferta Relâmpago”, por exemplo.




