Turista americana posta declaração após polêmica com filhote de vombate

Turista americana posta declaração após polêmica com filhote de vombate

Uma turista americana postou uma declaração nas redes sociais após se envolver em uma polêmica ao ser filmada pegando e fugindo com um bebê vombate selvagem na Austrália.

O vídeo, amplamente compartilhado, mostra Sam Jones correndo em direção a um carro com o filhote de vombate nos braços, enquanto a mãe a persegue.

As publicações geraram críticas, com australianos pedindo a deportação da turista.

O primeiro-ministro e o ministro de Assuntos Internos da Austrália também se manifestaram, aumentando a repercussão do caso.

A americana, com quase 97 mil seguidores no Instagram, havia privado suas redes sociais. Na sexta-feira (14), tornou a conta pública novamente e postou duas declarações sobre a polêmica.

Na primeira postagem, Jones relata o que aconteceu no dia da filmagem. Ela afirma que encontrou a mãe e o filhote imóveis e ficou preocupada, pois “vombates são frequentemente atropelados nas estradas australianas”.

A americana acrescenta que parou para garantir que os animais saíssem da estrada em segurança.

Segundo Jones, eles não se moveram quando ela se aproximou. “Fiquei preocupada que ele pudesse estar doente ou ferido, e fiz um julgamento rápido para pegar o filhote e ver se era esse o caso. Corri, não para arrancar o filhote de sua mãe, mas por medo de que ela pudesse me atacar.“

Ela afirma que sua ação “nunca foi de um lugar de dano ou roubo de um filhote“.

Apesar da animação por ver um animal “tão incrível”, a turista diz que o examinou rápido e o devolveu imediatamente para a mãe: “Garanti que a mãe e o filhote se reunissem, fossem embora juntos e saíssem da estrada.”

Na declaração, a americana diz que refletiu sobre a situação e percebeu que não agiu da melhor forma. Segundo Jones, sua intenção era evitar que “animais incríveis fossem atropelados e garantir que o marsupial não precisasse de cuidados imediatos.”

Ela pede desculpas e afirma ter “aprendido muito com essa situação”, além de se dizer arrependida pelo “sofrimento que causei”. Jones enfatiza que a intenção do vídeo não era a viralização: “Quero deixar bem claro que isso nunca foi sobre mídia social ou obtenção de curtidas. Isso não foi encenado, nem foi feito para entretenimento.”

Após a primeira declaração, Jones fez outra postagem com dois textos sobre a polêmica.

“Eu sou uma vilã? As coisas, caro leitor, não são o que parecem. Por segurar um vombate, milhares ameaçam minha vida.”, relata, mencionando as ameaças que está recebendo.

Citando os vombates, Sam Jones comenta que o governo australiano permite e autoriza o abate desta espécie e que proprietários de terras rasgam tocas de vombates com maquinário pesado, envenenam-nos com fumigação e atiram neles sempre que podem. Silenciosamente, é claro, para não enfrentar a ira que veio sobre mim.”

Relacionando o abate doloroso de outros animais, Jones faz os leitores refletirem: “Parece gentil para você?”.

Ela também cita o primeiro-ministro Anthony Albanese, que falou publicamente sobre o vídeo do vombate nesta semana: “Seus brumbys [tipo de cavalo selvagem] do Snowy River e do Parque Nacional Kosciuszko estão sendo massacrados aos milhares por sua conta – fale com seu primeiro-ministro Anthony Albanese sobre isso.”

“Enquanto o primeiro-ministro deseja mal a mim por pegar um vombate, imploro que você dê uma boa olhada no que está sendo feito atualmente na Austrália em torno dos problemas reais que ela enfrenta, a falta de energia para dezenas de milhares de australianos e o tratamento de sua vida selvagem nativa”, acrescentou.

A americana usa o canguru, símbolo nacional da Austrália, para questionar se a espécie nativa merece proteção governamental, alegando uma alta taxa anual de morte deste animal.

“Nos últimos 20 anos, aproximadamente 90 milhões de cangurus e wallabies foram legalmente abatidos para fins comerciais e esse número não está diminuindo. Milhões são legalmente mortos a cada ano”, escreveu.

Jones responde a artigos que sugerem que ela deveria ver um vombate em um zoológico: “Vamos ser claros, criar e manter animais selvagens em cativeiro para serem presos em um zoológico para nosso prazer de boquiaberto é um pecado muito mais flagrante do que segurar um por um momento em um esforço para ajudar.”

Por fim, ela pergunta aos leitores se ela, “uma pessoa que certamente comete erros” é realmente a vilã.

Na sexta-feira (14) foi confirmado que a americana havia deixado a Austrália voluntariamente.

*Com supervisão de Victor Aguiar

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