Com a tarifa recíproca de 10% aplicada pelos Estados Unidos sobre as importações brasileiras, especialistas avaliam que o consumo de suco de laranja brasileiro deve reduzir entre os consumidores norte-americanos. O país é o principal comprador do suco da fruta produzido no Brasil, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
De acordo com Mateus Nicacio, especialista em direito tributário e sócio do Chinaglia Nicacio Advogados, os compradores americanos devem repassar a taxa de importação aos preços dos produtos finais, o que fará com que o suco de laranja brasileiro seja vendido mais caro nas prateleiras dos Estados Unidos.
“Quando o governo americano aplica essa tarifa de 10%, o produto brasileiro exportado chega no mercado consumidor americano com preço maior. A primeira tendência é que haja uma redução do consumo interno nos Estados Unidos porque esses produtos sairão com um preço maior do que o atual”, disse.
Nicacio diz que ainda não é possível estimar se a tarifa de 10% causará um impacto no preço do suco de laranja vendido no Brasil. O especialista afirma que variáveis como mudanças climáticas e o tamanho da safra têm maior influência sobre o valor de venda do produto dentro do território brasileiro.
“Ainda não se vê um cenário muito claro de que a queda de exportação do suco de laranja vai implicar em alguma alteração de preço no Brasil. O que é mais visível é que pode haver uma demanda na queda do consumo americano e isso diminuir o volume de exportações do Brasil”, disse Nicacio.
Já na avaliação de Douglas Duek, CEO da Quist Investimentos e especialista em agronegócio, a queda na exportação de suco de laranja para os Estados Unidos pode aumentar a oferta do produto no Brasil. A maior disponibilidade do produto no território brasileiro pode resultar na queda de preços, diz Duek.




