Tarifaço deixa BCs de emergentes sem alternativas claras, dizem economistas

Tarifaço deixa BCs de emergentes sem alternativas claras, dizem economistas

O anúncio de tarifas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada estabeleceu um novo obstáculo para os bancos centrais de países emergentes, com muitos deles agora sendo forçados a fazer a difícil escolha entre apoiar a atividade econômica e manter suas moedas estáveis.

Até agora, economias como a Índia e a Indonésia adotaram uma abordagem cautelosa em relação aos cortes nas taxas de juros, com o objetivo de evitar os tipos de colapsos de mercado que abalaram suas economias nas últimas décadas.

Entretanto, algumas dessas preocupações com a estabilidade do mercado estão agora ficando em segundo plano, uma vez que as autoridades estão mais preocupadas com os fundamentos econômicos.

Segundo os analistas, isso significa que alguns bancos centrais de mercados emergentes podem cortar as taxas de forma mais agressiva do que o Federal Reserve.

“Acredito que esse tipo de reconfiguração das prioridades econômicas provavelmente significará que as moedas locais poderão enfrentar mais obstáculos neste ano, à medida que seus bancos apoiarem o crescimento por meio do afrouxamento da política monetária”, disse David Chao, estrategista de mercado global para a Ásia-Pacífico da Invesco.

Isso significa que os bancos centrais da Ásia, pela primeira vez, poderiam estar afrouxando os juros antes do Fed, acrescentou Chao.

Historicamente, os mercados emergentes têm sido extremamente vulneráveis a divergências acentuadas nas taxas de juros em relação aos EUA, o que desencadeou a fuga de capitais, muitas vezes com consequências políticas e econômicas desestabilizadoras.

Os comentários do chair do Fed, Jerome Powell, que sugeriram que o banco central dos EUA não tem pressa em reduzir ainda mais os juros, mesmo com a queda dos mercados globais, pioraram a já abalada confiança dos investidores na semana passada.

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