Um novo estudo publicado na revista PLOS One sugere que apresentar mais sintomas da menopausa pode estar associado a uma pior função cerebral e maior risco de demência com o envelhecimento. A pesquisa reforça a crescente evidência de que a menopausa pode estar ligada ao envelhecimento do cérebro.
O estudo descobriu que quanto mais sintomas as mulheres relatassem durante a menopausa, maior a probabilidade de apresentarem sinais de declínio cognitivo e problemas neuropsiquiátricos, conforme avaliado por testes.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o número de pessoas vivendo com Alzheimer e demências relacionadas aumentará para 152 milhões globalmente até 2050. As mulheres têm três vezes mais probabilidade de desenvolver a doença em comparação com os homens, mas os fatores para esse maior risco ainda não são totalmente conhecidos.
Anna Corbett, professora da Universidade de Exeter e líder do estudo, afirma que mudanças na função cognitiva são parte do processo normal de envelhecimento, mas identificar os primeiros fatores que influenciam a progressão do Alzheimer é crucial. Este estudo sugere que a fase da menopausa pode ser um período importante para avaliar o risco de demência.
A pesquisa ressalta que o risco de demência envolve outros fatores. Mais estudos são necessários para determinar o impacto real dos sintomas da menopausa e se a gravidade da menopausa deve ser considerada um fator de risco importante. A melhor forma de reduzir o risco de demência é manter-se fisicamente ativo, manter um peso saudável e controlar outras condições médicas.
O estudo envolveu 896 mulheres na pós-menopausa e utilizou a Escala de Cognição Cotidiana (ECog-II) para medir a função cognitiva, avaliando mudanças na memória, linguagem, habilidades visuais-espaciais e perceptivas, planejamento, organização e função executiva.
Os sintomas neuropsiquiátricos foram avaliados usando a Lista de Verificação de Comprometimento Comportamental Leve (MBI-C), que se concentra em mudanças emocionais e comportamentais.
Os resultados mostraram que mulheres com mais sintomas de menopausa relataram pior função cognitiva e mais sintomas neuropsiquiátricos com o envelhecimento. A terapia de reposição hormonal foi associada a menos sintomas neuropsiquiátricos na vida adulta, mas não pareceu ter o mesmo efeito na função cognitiva.
Embora mais pesquisas sejam necessárias, o estudo levanta questões sobre como os sintomas da menopausa podem influenciar a saúde do cérebro.




