Rússia e Mianmar assinaram um acordo nesta terça-feira (4) para a construção de uma usina nuclear de pequena escala no país do sudeste asiático, após conversas em Moscou entre o presidente russo Vladimir Putin e o chefe da junta militar de Mianmar, Min Aung Hlaing.
A Rosatom, empresa estatal de energia nuclear da Rússia, informou que a usina terá capacidade de 100 megawatts, com possibilidade de triplicar essa capacidade.
Putin celebrou a expansão dos laços com Mianmar durante as conversas com Hlaing e agradeceu-lhe por presentear Moscou com seis elefantes.
Analistas militares classificaram o presente, que coincidiu com a conclusão da entrega de seis caças a Mianmar pela Rússia, como parte da “diplomacia dos elefantes” entre dois governos vistos de forma obscura nas capitais ocidentais.
Mianmar está em turbulência desde 2021, quando seus militares depuseram a administração da líder vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, desencadeando uma guerra civil.
“Este ano, celebramos o 25º aniversário da assinatura da declaração sobre os fundamentos da amizade entre nossos países”, disse Putin ao primeiro-ministro birmanês, em uma reunião no Kremlin.
“As relações entre nossos países estão, de fato, se desenvolvendo de forma constante”, acrescentou, observando que o comércio bilateral aumentou 40% no ano passado.
Putin também anunciou que uma unidade militar de Mianmar participaria do desfile militar em Moscou em 9 de maio, marcando o 80º aniversário da vitória na Segunda Guerra Mundial sobre a Alemanha nazista. Ele disse que Min Aung Hlaing também compareceria.
Assim como a China, a Rússia apoia os militares de Mianmar e está desenvolvendo cooperação, inclusive entre suas forças aéreas.
“E, claro, não posso deixar de agradecer por seu presente tão caloroso: vocês nos trouxeram seis elefantes no ano passado, e eles já foram doados ao Zoológico de Moscou”, disse Putin.
Min Aung Hlaing, 68, que raramente viaja para o exterior, elogiou a qualidade do equipamento militar russo que sua nação recebe e disse que apoiou Putin na guerra da Ucrânia, onde acreditava que Moscou logo seria vitoriosa.




