O presidente da China, Xi Jinping, pediu ao Camboja que “resista ao protecionismo”, ao chegar a Phnom Penh nesta quinta-feira (17), no final de uma viagem para três nações do Sudeste Asiático, já que as tarifas dos EUA ameaçaram as economias de ambos os países.
O Camboja é um grande exportador de roupas e calçados para os Estados Unidos e recebeu uma tarifa de 49%, uma das mais altas do mundo, antes que as tarifas “recíprocas” fossem suspensas até julho para a maioria dos países, exceto para a China, que enfrenta tarifas combinadas de 145%.
Em um artigo publicado na manhã desta quinta-feira na mídia cambojana, Xi pediu a Phnom Penh que se oponha ao “hegemonismo” e ao “protecionismo”, repetindo as mensagens que enviou no início desta semana ao Vietnã e à Malásia durante as duas primeiras etapas de sua viagem.
Phnom Penh é um parceiro próximo da China, que investiu bilhões de dólares em projetos, incluindo estradas e aeroportos, e é o maior credor do país.
“Esperamos mais cooperação, inclusive no desenvolvimento de infraestrutura”, disse Meas Soksensan, porta-voz do Ministério das Finanças do Camboja, à Reuters, na véspera da chegada de Xi à capital Phnom Penh.
Ele estava respondendo a uma pergunta sobre se o Camboja espera que Pequim anunciasse apoio financeiro para um canal de 180 km, projeto de infraestrutura mais ambicioso do país.
Xi, que tem uma estrada com seu nome nos arredores da capital, exaltou o impacto econômico positivo de projetos de infraestrutura chineses anteriores e prometeu continuar a “apoiar inabalavelmente” o desenvolvimento do Camboja, mas não mencionou nenhum novo projeto específico em suas declarações na quinta-feira.
O governo cambojano disse que a China pagaria pelo Canal Funan Techo, que passaria do Rio Mekong, de um local próximo a Phnom Penh, para a costa no Golfo da Tailândia, desviando a água do frágil Delta do Mekong, que cultiva arroz, e reduzindo o transporte marítimo cambojano através dos portos vietnamitas.
Até o momento, a China não assumiu nenhum compromisso financeiro público com o projeto, enquanto Phnom Penh alterou suas declarações sobre o compromisso chinês de cobrir 100% a 49% dos custos totais, estimados em US$ 1,7 bilhão, quase 4% do produto interno bruto anual do Camboja.
Pequim não assinou nenhum novo empréstimo ao Camboja no ano passado, de acordo com dados oficiais cambojanos, um contraste marcante com os anos anteriores, quando emprestou centenas de milhões de dólares ao país.
A queda no financiamento ocorreu quando a China reduziu os investimentos gerais no exterior em meio a problemas econômicos domésticos e preocupações com projetos malsucedidos.




