A aversão ao risco, a queda do preço das commodities e indicadores econômicos globais apontando direções distintas ajudam a explicar a desvalorização do real frente ao dólar nesta terça-feira (8), após a confirmação de tarifas de 104% pelos Estados Unidos contra a China, avaliam especialistas.
A moeda norte-americana fechou a R$ 5,998, alta de 1,49%. Ao longo do dia, o ativo chegou à máxima de R$ 6,005.
O especialista em câmbio da Manchester Investimentos, Thiago Avallone, afirma que o movimento dos investidores em busca de segurança desvaloriza o real.
O presidente Donald Trump deve impor na quarta-feira (9) uma taxa de 104% sobre todas as importações chinesas. Isso se soma às tarifas chinesas que estavam em vigor antes do segundo mandato de Trump.
“Já faz alguns dias que temos visto uma aversão ao risco dos mercados, justamente pelas taxas que o governo Trump vem implementando nos produtos estrangeiros. Hoje vimos essa oscilação de uma ação de risco extremamente forte, mas acredito que, nos próximos dias, os países possam sentar à mesa para conversar e negociar suas taxas com Trump”, avalia Avallone.
A aversão ao risco não é o único fator que explica a escalada do dólar frente ao real. Inversamente à alta da moeda norte-americana, o preço das commodities tem caído ao redor do mundo.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato de petróleo WTI para maio caiu 1,85% (US$ 1,12), fechando a US$ 59,58 o barril. O Brent para junho, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), cedeu 2,16% (US$ 1,39), alcançando US$ 62,82 o barril.
Já o minério de ferro marcou perda de 3,15%, a US$ 100,73 na bolsa de Dalian.
Em valores, os produtos mais exportados pelo Brasil em 2024 foram óleos brutos de petróleo ou de minerais, com US$ 44 bi, soja, US$ 42 bi, e minério de ferro e concentrados, US$ 29 bi, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Com o preço das commodities em queda, entra menos dólar no mercado brasileiro, explica o sócio da Wagner Investimentos, José Faria Júnior. Porém, o recuo é generalizado em todo o mundo, atingindo diversos países.




