“Não deveria adivinhar“ o que acontecerá com ajuda dos EUA, diz Zelensky

"Não deveria adivinhar" o que acontecerá com ajuda dos EUA, diz Zelensky

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky expressou nesta terça-feira (4) o desejo de um “diálogo respeitoso“ com os Estados Unidos, reiterando sua busca pelo fim da guerra com a Rússia.

Em uma mensagem de vídeo, Zelensky abordou as preocupações sobre a continuidade do apoio americano, afirmando: “Muitas pessoas se perguntam: o que acontecerá com a ajuda dos EUA?“

“As pessoas não deveriam ter que adivinhar. Ucrânia e América merecem um diálogo respeitoso, uma posição clara de cada um. Especialmente quando se trata de proteger vidas durante uma guerra em larga escala“, declarou.

Zelensky lamentou o ocorrido na Casa Branca, ecoando um tweet anterior no qual mencionou seu encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump, na semana passada.

O presidente ucraniano enfatizou a necessidade de “encontrar a força para seguir em frente, respeitar uns aos outros, como sempre respeitamos a América, a Europa e todos os nossos parceiros, e fazer tudo juntos para aproximar a paz.“

Zelensky acrescentou que “os russos não mudaram suas posições e exigências“ e que seus pedidos visam enfraquecer a Ucrânia.

“Eles vão exigir uma redução do nosso exército, eles vão querer um abandono legal de nossos territórios, e eles vão querer uma deformação política significativa da Ucrânia com um enfraquecimento da Constituição ucraniana“, disse Zelensky.

Ele concluiu sua mensagem afirmando: “Enquanto todos nós na Ucrânia permanecermos unidos e firmes, enquanto estivermos aqui, ninguém terá sucesso – a paz será digna.“

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu toda a ajuda militar à Ucrânia após seu encontro com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky na semana passada, de acordo com um funcionário da Casa Branca.

“O presidente deixou claro que está focado na paz. Precisamos que nossos parceiros também estejam comprometidos com esse objetivo. Estamos pausando e revisando nossa ajuda para garantir que ela esteja contribuindo para uma solução“, disse o funcionário, sob condição de anonimato.

A medida ocorre após Trump ter adotado uma postura mais conciliatória em relação a Moscou e após um encontro com Zelensky na Casa Branca, no qual Trump o criticou por ser “ingrato“ pelo apoio de Washington na guerra com a Rússia.

A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, entrando no território por três frentes: pela fronteira russa, pela Crimeia e por Belarus. A invasão foi criticada internacionalmente e o Kremlin foi alvo de sanções econômicas do Ocidente.

Em outubro de 2024, após milhares de mortos, a guerra na Ucrânia entrou no que analistas descrevem como o momento mais perigoso até agora.

As tensões se elevaram quando o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou o uso de um míssil hipersônico de alcance intermediário durante um ataque em solo ucraniano. O projétil carregava ogivas convencionais, mas é capaz de levar material nuclear.

O lançamento aconteceu após a Ucrânia fazer uma ofensiva dentro do território russo usando armamentos fabricados por potências ocidentais, como os Estados Unidos, o Reino Unido e a França.

A inteligência ocidental denuncia que a Rússia está usando tropas da Coreia do Norte no conflito na Ucrânia. Moscou e Pyongyang não negam, nem confirmam o relato.

O presidente Vladimir Putin, que substituiu seu ministro da Defesa em maio, disse que as forças russas estão avançando muito mais efetivamente e que a Rússia alcançará todos os seus objetivos na Ucrânia, embora ele não tenha dado detalhes.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse acreditar que os principais objetivos de Putin são ocupar toda a região de Donbass, abrangendo as regiões de Donetsk e Luhansk, e expulsar as tropas ucranianas da região de Kursk, na Rússia, das quais controlam partes desde agosto.

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