Juros futuros sobem com alta do dólar e expectativas por tarifas

Juros futuros sobem com alta do dólar e expectativas por tarifas

As taxas dos DIs fecharam a segunda-feira (24) em alta, pela terceira sessão consecutiva, em sintonia com o novo avanço do dólar ante o real e com a elevação dos rendimentos dos Treasuries no exterior, em meio a expectativas sobre a aplicação de tarifas comerciais pelos EUA.

No fim da tarde a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2026 — um dos mais líquidos no curto prazo — estava em 15,03%, ante o ajuste de 14,951% da sessão anterior, enquanto a taxa para janeiro de 2027 marcava 14,9%, ante o ajuste de 14,766%.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2031 estava em 14,74%, ante 14,66% do ajuste anterior, e o contrato para janeiro de 2033 tinha taxa de 14,74%, ante 14,672%.

Na quinta (20) e na sexta-feira (21) as taxas futuras já haviam avançado, com investidores ajustando posições após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central ter indicado, na última quarta-feira (19), a intenção de aplicar alta menor do que 100 pontos-base da Selic em maio. Atualmente a Selic está em 14,25% ao ano.

Nesta segunda-feira as taxas subiram em paralelo ao novo avanço do dólar ante o real, com as cotações da moeda norte-americana impulsionadas por ruídos em torno de comentários do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Em evento organizado pelo Valor Econômico, Haddad afirmou no início do dia que quando o país tiver estabilidade da dívida pública, além de Selic e inflação comportadas, será possível mudar parâmetros que balizam o arcabouço fiscal, mas não a arquitetura baseada em limite de gasto e meta de resultado primário.

Os comentários estressaram as cotações do dólar, com parte do mercado enxergando certo risco na fala, ainda que Haddad não tenha sugerido de fato mudanças que possam enfraquecer o arcabouço. O ministro reiterou essa posição em postagem em rede social ainda pela manhã.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries tinham ganhos firmes — superior a 10 pontos-base em alguns momentos do dia –, em meio à expectativa com a aplicação de tarifas comerciais específicas pelos EUA em 2 de abril.

O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que em um futuro muito próximo anunciará tarifas sobre automóveis, alumínio e produtos farmacêuticos.

Ao mesmo tempo, a Bloomberg News e o The Wall Street Journal informaram que o governo Trump provavelmente adiará um conjunto de tarifas específicas para setores ao aplicar taxas recíprocas em 2 de abril.

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