Juros futuros despencam após tarifas com receio de recessão nos EUA

Juros futuros despencam após tarifas com receio de recessão nos EUA

O dia seguinte ao anúncio do pacote de tarifas de importação dos Estados Unidos foi marcado pela forte queda das taxas dos DIs nesta quinta-feira (3), superior a 40 pontos-base em alguns vencimentos, com a curva a termo brasileira refletindo a forte baixa do dólar ante o real e os receios de que a economia norte-americana entre em recessão.

O movimento de baixa das taxas futuras no Brasil — acompanhando a derrocada dos yields dos Treasuries no exterior — foi amplificado pela disparada de ordens de stop loss (parada de perdas) ao longo da curva.

No fim da tarde a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2026 — um dos mais líquidos no curto prazo — estava em 14,79%, ante o ajuste de 15,006% da sessão anterior, enquanto a taxa para janeiro de 2027 marcava 14,415%, em baixa de 43 pontos-base ante o ajuste de 14,847%.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2031 estava em 14,43%, em baixa de 34 pontos-base ante 14,774% do ajuste anterior, e o contrato para janeiro de 2033 tinha taxa de 14,51%, ante 14,8%.

No fim da tarde de quarta-feira (2) o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma tarifa básica de 10% a ser aplicada sobre todas as importações dos EUA, além de taxas mais altas para alguns dos principais parceiros comerciais do país. A taxa para o Brasil é de 10%, enquanto a China ficou com 34%, a Coreia do Sul com 25%, o Japão com 24% e a União Europeia com 20%, entre outros.

O pacote de Trump foi mais rígido que o esperado e surpreendeu investidores ao redor do mundo, com analistas avaliando que a tarifação aumenta as chances de recessão nos Estados Unidos, com impactos sobre o crescimento global.

“Os mercados reagiram muito mal ao anúncio. Havia a expectativa de que as tarifas seriam uniformes para todos os países, devido a sua fácil implementação, e foi algo ventilado por membros do alto escalão do governo Trump ao longo da semana”, escreveram André Valério, economista sênior, e Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, em comentário enviado a clientes.

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