Stephen Miller, ex-vice-chefe de gabinete da Casa Branca durante o governo de Donald Trump, criticou a juíza de Maryland que ordenou ao governo dos EUA que devolvesse um homem deportado por engano para El Salvador até o final da segunda-feira. Em uma postagem no X, Miller chamou a juíza de “juíza marxista” que “agora acha que é a presidente de El Salvador”.
A juíza Paula Xinis, do Tribunal Distrital dos EUA em Maryland, ordenou que o governo federal devolvesse Kilmar Armando Abrego Garcia, um cidadão salvadorenho, aos EUA até as 23h59 do dia 7 de abril.
A administração Trump reconheceu em um documento judicial que deportou por engano o pai de três filhos de Maryland “por causa de um erro administrativo”, mas afirmou que não podia trazê-lo de volta, pois ele está sob custódia do governo salvadorenho.
Esta parece ser a primeira vez que a administração admite um erro relacionado aos recentes voos de deportação para El Salvador, que agora estão no centro de uma tensa batalha judicial.
Em março, o governo Trump invocou poderes de guerra para deportar mais de 200 imigrantes, supostamente membros de uma gangue venezuelana, dos Estados Unidos para El Salvador.
Isso ocorreu mesmo com o juiz James Boasberg bloqueando temporariamente o governo de usar uma lei de guerra para realizar as deportações.
Boasberg havia instruído anteriormente o governo a fornecer detalhes sobre o momento dos voos que transportaram os venezuelanos para El Salvador, incluindo se eles decolaram após sua ordem ter sido emitida.
A Casa Branca afirmou que os tribunais federais não têm jurisdição sobre a autoridade de Trump para expulsar inimigos estrangeiros sob a lei do século XVIII, historicamente usada apenas em tempos de guerra.
A administração disse que não violou a ordem escrita subsequente de Boasberg proibindo as autoridades de imigração de remover migrantes porque os aviões já haviam partido quando foi emitida.
Mas o juiz afirmou que ainda queria saber quando os voos partiram, para onde estavam indo, quando deixaram o espaço aéreo dos EUA e quando pousaram em um país estrangeiro. Ele também perguntou quando os indivíduos foram transferidos para custódia estrangeira.
O grupo de supostos criminosos violentos ligados ao Tren de Aragua e MS-13 foi transportado pelo Exército dos EUA na noite de domingo (30), disse o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em um comunicado, acrescentando que os deportados incluíam assassinos e estupradores.
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, disse em um post no X que todos os deportados eram “assassinos confirmados e criminosos de alto perfil, incluindo seis estupradores de crianças”.




