Apesar da nova rodada de alta nos preços dos alimentos, a descompressão do custo da energia elétrica e as reduções em modais de transporte coletivo, como ônibus urbano e metrô, aliviaram a inflação percebida pelas famílias de baixa renda em março.
Segundo informou nesta quarta-feira (16) o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda mostra que a inflação arrefeceu de um aumento de 1,59% em fevereiro para uma alta de 0,56% em março para o segmento familiar de renda muito baixa.
Para o grupo de renda alta, a inflação saiu de uma elevação de 0,90% em fevereiro para aumento de 0,60% em março.
O Ipea lembra que a tarifa de energia elétrica desacelerou de uma alta de 16,8% em fevereiro para uma elevação de 0,12% em março.
Ainda que em menor intensidade, as quedas das passagens de ônibus urbano (-1,1%) e do metrô (-1,7%) também ajudam a explicar o alívio inflacionário em março para os segmentos de menor poder aquisitivo.
Já para as famílias de renda alta, o recuo da taxa de inflação de 0,90% em fevereiro para 0,60% em março veio, especialmente, da melhora do grupo educação, tendo em vista o fim do impacto dos reajustes das mensalidades escolares ocorrido no mês anterior.
“Nota-se, ainda, que essa descompressão inflacionária no segmento de renda alta foi atenuada, em parte, pela piora no comportamento das passagens aéreas, com alta de 6,9% em março ante queda de 20,5% em fevereiro”, diz Maria Andreia Lameiras, técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea.
Com exceção da faixa de renda alta, todos os demais grupos familiares sentiram o aumento nos preços do grupo alimentação e bebidas como a principal pressão sobre a inflação.
Na faixa de renda mais baixa, o encarecimento dos alimentos respondeu por 65% da inflação percebida em março, uma contribuição de 0,36 ponto porcentual para a taxa de 0,56%.




