A guerra em curso em Gaza, no Oriente Médio, tem implicações diretas na política interna de Israel, segundo análise do professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais, Danny Zahreddine.
Em entrevista ao jornal WW, da Brasil, na sexta-feira (21), o especialista destacou como o conflito prolongado beneficia a permanência de Benjamin Netanyahu no cargo de primeiro-ministro israelense.
De acordo com Zahreddine, que também é diretor do Instituto de Ciências Sociais da PUC Minas, Netanyahu resistiu fortemente à segunda e terceira fases do cessar-fogo, sendo obrigado a aceitá-las apenas temporariamente.
“Na verdade, ele foi obrigado a aceitar a segunda e a terceira fases, pelo menos a concepção e assinar ali um cessar-fogo temporário, mas nunca aceitou, de fato”, explicou o professor.
Zahreddine apontou duas razões principais para essa resistência. Primeiramente, o Hamas continua no controle de Gaza, contrariando a promessa de Netanyahu de uma “vitória total” contra o grupo.
“Em segundo lugar, e talvez mais crucial para a política interna israelense, a continuação da guerra serve aos interesses políticos do atual primeiro-ministro”, disse.
O professor argumentou que “a guerra sem fim em Gaza significa a manutenção de um governo sem fim também de Netanyahu”.
Zahreddine também mencionou a volta do Ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, ao governo com o reinício da guerra, ilustrando como o conflito contínuo fortalece a coalizão de Netanyahu.
“Isso revela como que essa guerra sem fim é fundamental para a permanência desse governo”, afirma Zahreddine.
Para o especialista, a política interna de Israel e a situação em Gaza estão intrinsecamente ligadas. “A falta de uma alternativa clara para a governança do enclave palestino e os benefícios políticos da guerra para Netanyahu indicam que uma resolução rápida do conflito parece improvável no curto prazo”, conclui.




