O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quinta-feira (13) impor uma tarifa massiva sobre o álcool europeu em resposta à retaliação da União Europeia contra suas tarifas sobre aço e alumínio em uma escalada da guerra comercial.
Em uma publicação no Truth Social, Trump disse que seu governo imporia uma tarifa de 200% sobre bebidas alcoólicas da UE, caso não revoguem a taxa de 50% que o governo europeu anunciou na quarta-feira (12) sobre o uísque dos EUA.
O aumento das tarifas sobre todas as importações de aço e alumínio dos Estados Unidos, decidido por Trump, entrou em vigor na quarta, intensificando uma campanha para reordenar o comércio global em favor dos EUA e atraindo uma rápida retaliação do Canadá e da Europa.
A ação de Trump para aumentar as proteções aos produtores norte-americanos de aço e alumínio restabelece as tarifas efetivas de 25% sobre todas as importações dos metais e estende as tarifas a centenas de produtos derivados, de porcas e parafusos a lâminas de escavadeiras e latas de refrigerante.
O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, disse que nada poderá impedir as tarifas e que Trump também vai impor proteções comerciais ao cobre.
O Canadá, o maior fornecedor estrangeiro de aço e alumínio para os Estados Unidos, anunciou tarifas retaliatórias de 25% sobre produtos como aço, alumínio, computadores, equipamentos esportivos e outros produtos no valor total de 29,8 bilhões de dólares canadenses.
O foco excessivo de Trump nas tarifas, desde que assumiu o cargo em janeiro, abalou a confiança dos investidores, consumidores e empresas de uma forma que os economistas temem que possa causar uma recessão nos EUA e um atraso ainda maior na economia global.
A Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia encarregado de coordenar as questões comerciais, reagiu rapidamente, dizendo que vai impor tarifas contrárias sobre até 26 bilhões de euros em produtos norte-americanos – geralmente com impacto mais simbólico do que econômico – a partir do próximo mês.
No entanto, a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, disse aos repórteres que havia encarregado o comissário de Comércio, Maros Sefcovic, de retomar as conversas com as autoridades norte-americanas sobre o assunto.
“Acreditamos firmemente que, em um mundo repleto de incertezas geoeconômicas e políticas, não é de nosso interesse comum sobrecarregar nossas economias com tais tarifas”, disse ela.
O Ministério das Relações Exteriores da China disse que Pequim tomará todas as medidas necessárias para proteger seus direitos e interesses, enquanto o secretário-chefe do Gabinete do Japão, Yoshimasa Hayashi, disse que a medida poderá ter um grande impacto sobre os laços econômicos entre os EUA e o Japão.
Aliados próximos dos EUA, o Reino Unido e a Austrália criticaram as tarifas gerais, e o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, disse que a medida é “contra o espírito da amizade duradoura de nossas duas nações” No entanto, ambos os países descartaram a imposição imediata de tarifas.
Os outros países mais afetados pelas tarifas são o Brasil, o México e a Coreia do Sul, que desfrutaram de algum nível de isenção ou cotas.




