Na reunião do mês passado, os formuladores de política monetária do Federal Reserve foram quase unânimes em afirmar que a economia dos EUA enfrentava riscos de inflação mais alta e crescimento mais lento, com algumas autoridades observando que “compensações difíceis” poderiam estar à frente do banco central dos EUA, de acordo com a ata da reunião.
A reunião de 18 e 19 de março foi realizada na esteira dos planos tarifários iniciais do governo Trump, que aumentaram a incerteza sobre as perspectivas econômicas e levaram os participantes a favorecer uma “abordagem cautelosa”, podendo optar por manter as taxas de juros mais altas por mais tempo se a inflação persistisse, ou cortar as taxas se uma economia enfraquecida precisasse de atenção mais imediata.
“Os participantes avaliaram que a incerteza em relação às perspectivas econômicas havia aumentado, com quase todos os participantes vendo os riscos para a inflação como inclinados para cima e os riscos para o emprego como inclinados para baixo”, de acordo com a ata divulgada nesta quarta-feira (9).
Alguns dos participantes da reunião “observaram (…) que o Comitê (Federal de Mercado Aberto) poderia enfrentar difíceis compensações se a inflação se mostrasse mais persistente enquanto as perspectivas de crescimento e emprego se enfraquecessem”, disse a ata.
Os 19 formuladores de política monetária do Fed se reuniram antes de o presidente Donald Trump revelar, em 2 de abril, um conjunto de impostos de importação ainda mais agressivo e abrangente do que o anunciado antes da reunião de março.
Mesmo a partir desse ponto de vista mais limitado, as autoridades do Fed nessa reunião reduziram suas previsões de crescimento econômico, aumentaram suas perspectivas de inflação para 2025 e reduziram de três para dois o número de cortes de taxas de 0,25 ponto percentual projetados para este ano.
De forma igualmente significativa, as autoridades do Fed apontaram para o aumento da incerteza em relação aos planos políticos de Trump e seu possível impacto sobre a economia.




