EUA vão monitorar redes sociais de imigrantes

EUA vão monitorar redes sociais de imigrantes

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (9) que começará a rastrear as redes sociais de imigrantes e solicitantes de visto, visando o que descreveu como “atividade antissemita”.

A medida gerou rápidas condenações de defensores dos direitos humanos, incluindo alguns judeus, que manifestaram preocupações sobre liberdade de expressão e vigilância.

O governo tentou reprimir os protestos pró-palestinos contra o ataque militar em Gaza, após a investida do grupo islâmico Hamas em outubro de 2023.

Em comunicado, o Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS) informou que começará a considerar a atividade antissemita de estrangeiros nas redes sociais e o assédio físico de indivíduos judeus como motivos para negar solicitações de benefícios de imigração.

A medida afetará imediatamente aqueles que solicitam o status de residente permanente legal, estudantes estrangeiros e aqueles afiliados a instituições educacionais ligadas a atividades antissemitas, acrescentou.

“Não há espaço nos Estados Unidos para os simpatizantes do terrorismo do resto do mundo”, afirmou o USCIS.

O governo tem frequentemente rotulado as vozes pró-palestinos como antissemitas e simpatizantes de grupos militantes como o Hamas, o Hezbollah e os rebeldes Houthis, que Washington designa como “terroristas”.

O governo está tentando deportar alguns estudantes estrangeiros, revogou vários vistos e alertou as universidades sobre cortes de verbas federais devido aos protestos pró-Palestina.

Manifestantes, incluindo alguns grupos judeus, dizem que o governo confunde suas críticas às ações em Gaza e o apoio aos direitos dos palestinos com antissemitismo e apoio ao extremismo.

Ativistas e especialistas em direitos humanos têm condenado o governo, inclusive o anúncio desta quarta-feira, que, segundo eles, ameaça a liberdade de expressão e é semelhante à vigilância e à exclusão de imigrantes.

A Fundação para os Direitos Individuais e Expressão (Fire) disse que o governo estava “formalizando práticas de censura”.

“Ao vigiar os portadores de visto e de green card e visá-los com base em nada mais do que sua expressão protegida, o governo troca o compromisso dos Estados Unidos com o discurso livre e aberto pelo medo e pelo silêncio”, disse a Fire.

O Nexus Project, que combate o antissemitismo, disse que o governo estava perseguindo os imigrantes em nome do combate ao antissemitismo e tratando o tema como um problema importado.

Defensores dos direitos humanos também levantaram preocupações sobre a islamofobia e o preconceito antiárabe durante a guerra entre Israel e Gaza. O governo não anunciou medidas em resposta.

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