O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende levantar US$ 2 bilhões em financiamentos para projetos sustentáveis a partir de um novo leilão a ser anunciado nesta segunda-feira (28) no âmbito do programa Eco Invest Brasil, com foco em iniciativas de recuperação de pastagens degradadas.
As informações foram antecipadas à Reuters pelo secretário do Tesouro, Rogério Ceron, para quem o Brasil tem capacidade de colocar em prática o maior programa do mundo de recuperação de terras degradadas.
“Tem uma pegada ambiental gigantesca, um apelo internacional enorme, tem muita gente nos procurando. Almejamos, no melhor cenário, algo como 1 milhão de hectares recuperados. É bastante agressivo”, disse.
O novo leilão faz parte da linha de “blended finance” do Eco Invest, que mescla capital público e privado com o objetivo de baratear financiamentos e estimular iniciativas sustentáveis do setor privado, reduzindo também o risco à exposição cambial.
O anúncio oficial do certame será feito nesta segunda-feira pelos Ministérios da Fazenda, da Agricultura e Pecuária e do Meio Ambiente. Um decreto para regulamentar o leilão será publicado nesta semana, e o prazo para apresentação das propostas pelos bancos será de 45 dias.
De acordo com o secretário, embora o valor exato não possa ser divulgado para não atrapalhar a competição entre as instituições financeiras concorrentes, o leilão deverá disponibilizar cerca de US$ 1 bilhão em capital catalítico do Fundo Clima, com exigência de alavancagem de ao menos uma vez e meia.
O capital catalítico é um tipo de recurso que busca estimular investimentos adicionais de outras fontes.
Vencerão o leilão as instituições financeiras que oferecerem maior alavancagem em capital privado. Portanto, se o certame for bem-sucedido, serão somados ao US$ 1 bilhão do Fundo Clima pelo menos US$ 500 milhões em recursos privados, montante que pode aumentar a depender da concorrência.
Para Ceron, há apetite para uma alavancagem que leve os financiamentos a contarem com US$ 1 bilhão de capital público e US$ 1 bilhão de recursos privados.
Haverá ainda um critério de desempate que vai considerar a quantidade de hectares a serem recuperados.
De acordo com o secretário do Tesouro, pelo menos 60% do capital alavancado terá que ser fruto de captação no exterior, com os outros 40% podendo ser formados por recursos domésticos.




