Dólar chega próximo de R$ 6,10 com tarifas da China; bolsas caem no mundo

Dólar chega próximo de R$ 6,10 com tarifas da China; bolsas caem no mundo

O dólar à vista avançava próximo a R$ 6,10 nesta quarta-feira (9), enquanto bolsas oscilavam no mundo, à medida que investidores reagem a mais uma escalada das tensões comerciais entre EUA e China, após Pequim anunciar nova retaliação contra as tarifas recíprocas de Donald Trump, que entraram em vigor mais cedo.

Às 11h10, o dólar à vista subia 0,79%, a R$ 6,0582 na venda. Na máxima, a moeda norte-americana atingiu R$ 6,09.

No mesmo horário, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, tinha alta de 0,27%, a 124.265,42 pontos.

Na terça-feira (8), o dólar à vista fechou em alta de 1,49%, a R$ 5,9985, maior valor de fechamento desde 21 de janeiro deste ano.

Nesta sessão, o foco já estaria naturalmente em torno da política comercial dos EUA, uma vez que as tarifas recíprocas anunciadas por Trump na semana passada entraram em vigor nesta madrugada, mantendo os mercados globais receosos quanto aos efeitos econômicos das medidas adotadas.

Os principais índices de Wall Street abriram sem direção comum nesta quarta após a China anunciar mais impostos sobre produtos dos EUA, retaliando as tarifas recíprocas de Trump que entraram em vigor no dia.

O Dow Jones Industrial Average subia 0,30% na abertura, para 37.760,35 pontos. O S&P 500 tinha alta de 0,59%, a 5.012,28 pontos, enquanto o Nasdaq Composite subia 1,39%, para 15.480,74 pontos.

Na Europa, as bolsas operavam em baixa de mais de 2% na manhã desta quarta, após o breve alívio da véspera, à medida que as tarifas “recíprocas” dos EUA entraram em vigor. O índice pan-europeu Stoxx 600 caía 2,93%, a 472,64 pontos.

Já os índices acionários da China e de Hong Kong fecharam em alta nesta quarta. O índice CSI300 abriu em baixa, mas depois recuperou as perdas e fechou com alta de 0,99%, enquanto o índice SSEC, em Xangai, subiu 1,31%. O índice Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,68%.

Tensões comerciais

Analistas temem que as taxas comerciais dos EUA possam levar a uma guerra comercial global, com a possibilidade de uma aceleração da inflação e uma recessão econômica em diversos países.

Mas o sentimento se deteriorou ainda mais quando a China, que está sendo atingida por uma tarifa de 104% a partir desta quarta, anunciou uma taxa de 84% sobre as importações norte-americanas, acima da tarifa de 34% prometida anteriormente e escalando as tensões com os EUA.

A resposta chinesa veio na esteira da retaliação norte-americana à contramedida anunciada por Pequim. Inicialmente, a tarifa dos EUA sobre os produtos da China seria de 54%, mas Trump a elevou para 104% após o anúncio da sobretaxa de 34% pelo governo chinês.

“Hoje temos continuidade da aversão ao risco, muito por conta não só da efetivação das tarifas dos EUA, mas da retaliação da China. O temor de recessão se espalha e nossa economia seria muito afetada”, disse Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.

Com isso, investidores fugiam de ativos de risco, como é o caso de moedas de países emergentes, com o dólar avançando sobre o peso mexicano, o rand sul-africano e o peso chileno.

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