Investidores em títulos do Tesouro norte-americano sofreram perdas nesta quarta-feira (9), apesar de uma pausa temporária na cobrança de algumas tarifas pelos EUA. Alguns fundos foram forçados a vender títulos em uma corrida por dinheiro, enquanto outros questionaram o status dos Treasuries como o ativo mais seguro do mundo.
Os rendimentos dos Treasuries de dez anos, que atingiram o pico de sete semanas, mantiveram-se em níveis elevados mesmo após o presidente Donald Trump autorizar uma pausa de 90 dias para a maioria de suas novas tarifas, com um aumento para 125% da alíquota para a China, com efeito imediato.
Em diferentes momentos durante a sessão volátil, a alta nos rendimentos, na semana até agora, superou o maior salto semanal desde 2001.
O dólar — também um porto seguro tradicional, mas que havia se enfraquecido em relação a outras moedas importantes — recuperou-se, assim como as ações listadas nos EUA, após o anúncio de Trump.
Analistas e investidores do mundo todo apontaram a liquidação de títulos do Tesouro nesta semana como evidência de que a confiança na maior economia do mundo foi abalada.
“O mercado perdeu a fé nos ativos dos EUA”, escreveram analistas do Deutsche Bank em nota nesta quarta-feira, antes do anúncio de Trump.
Marc Rowan, CEO da Apollo Global Management, grande gestora de ativos alternativos, disse em entrevista à CNBC que estava preocupado com danos à marca norte-americana.
Nesta quarta-feira, alguns analistas disseram que a situação havia se deteriorado em alguns setores do mercado, nos quais os investidores haviam se endividado.
Mesmo assim, três fontes do mercado disseram que as distorções não atingiram níveis de crise e que as negociações, embora voláteis, foram ordenadas.
O leilão da tarde de títulos do Tesouro de dez anos ocorreu dentro das expectativas. Os resultados do leilão trouxeram ainda mais alívio ao mercado.
Mesmo assim, ainda havia dúvidas sobre as perspectivas.
“A suspensão de 90 dias permite um bom espaço para que as negociações se estabeleçam, e as avaliações de mercado foram claramente redefinidas”, disse Carol Schleif, estrategista-chefe de mercado da BMO Private Wealth. “No entanto, a incerteza para as empresas permanece.”
No passado, movimentos dessa magnitude nos mercados globais tendiam a provocar uma resposta enérgica dos principais governos e bancos centrais, com os EUA liderando o movimento.
Nesta quarta-feira, no entanto, a maior economia do mundo não compareceu ao anúncio de que o Japão e o Canadá concordaram em cooperar para manter a estabilidade nos mercados financeiros.




