Confiança na indústria tem menor nível em quase 5 anos

Confiança na indústria tem menor nível em quase 5 anos

A confiança do setor industrial brasileiro atingiu seu ponto mais baixo em quase cinco anos, de acordo com dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) registrou uma queda de 1,2 ponto em abril, marcando o menor patamar desde julho de 2020.

Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, explica que o índice vem apresentando quedas consecutivas desde outubro do ano passado, coincidindo com o início da trajetória de alta das taxas de juros.

“Primeiro a gente estava tendo uma confiança baixa, cada vez menor, mas agora ele está já há algum tempo mostrando falta de confiança e uma nova queda”, afirma Azevedo.

O declínio na confiança é atribuído a uma combinação de fatores, incluindo uma avaliação negativa das condições atuais de negócios e da economia brasileira, bem como expectativas pessimistas para os próximos meses.

Azevedo destaca que o otimismo dos empresários em relação às suas próprias empresas também está cada vez mais restrito.

A queda na demanda, o aumento nos custos de investimento e a pressão sobre os custos devido à depreciação do real no final do ano passado são apontados como elementos que contribuíram para a erosão da confiança industrial.

Além disso, sinais de fraqueza na atividade econômica, como desaceleração na produção industrial e nas vendas do varejo, também influenciam negativamente as perspectivas do setor.

A falta de confiança do empresariado industrial é preocupante, pois pode levar ao adiamento de decisões importantes relacionadas a investimentos, produção e contratações. Esse cenário está alinhado com a visão de desaceleração econômica que já se percebe de forma geral.

Quanto às perspectivas futuras, Azevedo acredita que a incerteza continuará a contaminar as expectativas. “Dificilmente se haverá um salto da confiança”, afirma.

A expectativa é de que primeiro ocorra uma redução das incertezas, o que poderá se traduzir em expectativas um pouco mais positivas, possivelmente contendo a queda do índice de confiança.

O cenário externo também é fonte de preocupação, com potenciais impactos nas exportações brasileiras devido à perspectiva de menor crescimento mundial e redução do comércio internacional.

Azevedo ressalta a importância de políticas como a Nova Indústria Brasil para favorecer o investimento nacional, mas adverte que é necessário acompanhar de perto as rápidas mudanças no cenário econômico global.

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