Nos Estados Unidos, a confiança do consumidor caiu 7,2 pontos em março, atingindo 92,9, segundo o Conference Board na terça-feira (25). Essa é a menor leitura desde janeiro de 2021 e estende um declínio que começou em dezembro, após a eleição presidencial.
O declínio de março foi semelhante ao de fevereiro, ressaltando o crescente pessimismo entre os consumidores dos EUA.
Não apenas os americanos estão esperando uma inflação maior este ano, mas mais deles também estão prevendo que a economia entrará em recessão, mostrou a pesquisa do Conference Board.
Essa combinação tóxica de enfraquecimento do crescimento e aceleração da inflação se assemelha à “estagflação”, e autoridades do Federal Reserve também veem a economia dos EUA tendendo nessa direção.
As expectativas dos americanos “para renda, negócios e condições do mercado de trabalho” no próximo ano caíram acentuadamente neste mês, mostrou a pesquisa, declinando 9,6 pontos para 65,2, o menor nível em 12 anos.
Enquanto isso, a parcela de entrevistados esperando uma recessão nos próximos 12 meses se manteve estável em março, em uma alta de nove meses.
A disputa comercial de Trump com países estrangeiros, um princípio fundamental de sua agenda econômica, tem sido desconcertante e controversa: no início deste mês, após impor tarifas de 25% ao México e ao Canadá, essas taxas foram rapidamente adiadas por mais um mês após reclamações de líderes empresariais; então, após a União Europeia retaliar às tarifas de metais de Trump, o presidente continuou a aumentar a aposta ameaçando uma mega tarifa de 200% sobre o álcool europeu.
E as próximas tarifas destinadas a igualar aquelas que países estrangeiros impõem aos Estados Unidos — as chamadas tarifas recíprocas programadas para 2 de abril — podem ser diluídas.
Esse vaivém frenético evocou altos níveis de incerteza entre consumidores, empresas e investidores americanos, o que está dificultando o planejamento futuro, de acordo com várias pesquisas. Também está alimentando temores de que a economia possa estar caminhando em direção à estagflação.
Stephen Miran, presidente do Conselho de Assessores Econômicos de Trump, disse que não está preocupado com a queda na confiança do consumidor.
“As pessoas geralmente deixam suas visões políticas influenciarem suas visões da economia, o que tende a se manifestar nos dados de confiança”, disse Miran na terça-feira em uma entrevista à CNBC.
Em sua opinião, dados concretos, como a pesquisa de confiança do consumidor, são menos reveladores sobre o estado da economia em comparação a dados concretos, como relatórios de empregos, que pintam um quadro um pouco melhor.
Sarah House, economista sênior do Wells Fargo, disse que dados concretos podem se transformar em dados concretos, mas isso ainda está para ser visto.
“Obviamente, vimos algumas oscilações nos dados concretos, principalmente nas pesquisas com consumidores, mas para que isso se torne preocupante, é preciso que haja alguma repercussão nos dados concretos, em termos de crescimento e mercado de trabalho”, disse ela.




