O Senado Federal prestou homenagem a mulheres que se destacaram na luta por direitos e representatividade feminina no Brasil, durante uma sessão solene realizada nesta quinta-feira (27). As homenageadas foram indicadas por membros do Congresso, principalmente da bancada feminina.
Entre as premiadas com o Diploma Bertha Lutz, destacam-se as atrizes Fernanda Torres, indicada pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA), e Fernanda Montenegro, indicada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Ambas atuaram no filme “Ainda Estou Aqui”, do diretor Walter Salles.
A neurocientista e presidente da Rede Sarah, Lúcia Willadino Braga, também foi homenageada, indicada por Alcolumbre. Ela representou e recebeu simbolicamente os prêmios em nome de Fernanda Torres e Fernanda Montenegro.
A lista de personalidades reconhecidas inclui a escritora e membro da Academia Mineira de Letras Conceição Evaristo, indicada pela senadora Teresa Leitão (PT-PE).
A senadora Leila Barros (PDT-DF), líder da bancada feminina, enfatizou que a premiação representa o empoderamento das mulheres. No entanto, ressaltou que a causa feminina ainda enfrenta muitos desafios e que as mulheres permanecem sub-representadas no Congresso, apesar de serem a maioria da população.
“Estamos em 2025 e lamentavelmente é preciso denunciar que a causa feminista ainda é uma causa pela igualdade e pela justiça, e a batalha está longe do seu fim. Um quarto de século já transcorrido desde a primeira edição deste prêmio e ainda precisamos estar aqui reivindicando direitos: direito pela equiparação de oportunidades, direito pela visão do trabalho doméstico, direito pela efetiva inclusão social e, pasmem, direito até mesmo à integridade física”, declarou Leila Barros.
Bruna dos Santos Costa Rodrigues, juíza no Tribunal de Justiça do Ceará, discursou em nome de todas as homenageadas, após ser indicada pela senadora Augusta Brito (PT-CE). Ela ressaltou a sub-representatividade das mulheres negras no Poder Judiciário.
“Falar sobre gênero é falar sobre os números que foram apontados aqui. O número de feminicídios aumenta e a cada 17 horas uma mulher é assassinada. É falar sobre a violência política, sobre a interrupção indevida às falas das mulheres que são parlamentares e sobre a ausência de mulheres no 2° grau e em tribunais superiores do Judiciário, em especial as mulheres negras que representam menos de 1% do Poder Judiciário”, afirmou Bruna dos Santos Costa Rodrigues.
Bertha Lutz, que dá nome ao prêmio, foi bióloga, advogada e pesquisadora, com uma trajetória marcada pela luta em prol da causa feminista e da educação. Em 1919, tornou-se a segunda brasileira a fazer parte do serviço público no Brasil e, em 1936, assumiu mandato na Câmara dos Deputados.
Conheça as homenageadas:
- Ani Heinrich Sanders: produtora rural do estado do Piauí.
- Antonieta de Barros (in memoriam): primeira mulher negra a ser eleita deputada no Brasil, pelo estado de Santa Catarina.
- Bruna dos Santos Costa Rodrigues: juíza no Tribunal de Justiça do estado do Ceará.
- Conceição Evaristo: linguista, escritora e membro da Academia Mineira de Letras.
- Cristiane Rodrigues Britto: advogada e ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.
- Elaine Borges Monteiro Cassiano: reitora do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS).
- Elisa de Carvalho: pediatra, professora universitária e membro da Academia de Medicina de Brasília.
- Fernanda Montenegro: atriz indicada ao Oscar em 1999, pela atuação no filme Central do Brasil.
- Fernanda Torres: atriz e escritora vencedora do Globo de Ouro.
- Janete Ana Ribeiro Vaz: empreendedora e cofundadora do Grupo Sabin.
- Jaqueline Gomes de Jesus: escritora, professora e primeira gestora do sistema de cotas para negros da Universidade de Brasília (UnB).
- Joana Marisa de Barros: médica mastologista e imaginologista mamária no estado da Paraíba.
- Lúcia Willadino Braga: neurocientista e presidente da Rede Sarah.
- Maria Terezinha Nunes: coordenadora da Rede Equidade e ex-coordenadora do Programa Pró-equidade de Gênero e Raça do Senado.
- Marisa Serrano: ex-senadora, ex-deputada e membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras.
- Patrícia de Amorim Rêgo: procuradora de Justiça do Ministério Público do Estado do Acre.
- Tunísia Viana de Carvalho: ativista dos direitos maternos e infantojuvenis.
- Virgínia Mendes: filantropa e primeira-dama de Mato Grosso.
- Viviane Senna: filantropa e presidente do Instituto Ayrton Senna.




