O Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo do Distrito Federal, concordou em adquirir os ativos mais saudáveis e estrategicamente relevantes do Banco Master após meses de negociações, disse o CEO do BRB, Paulo Henrique Costa, em entrevista à Reuters na terça-feira.
O acordo, anunciado na sexta-feira e sujeito à revisão pelo Banco Central, ainda está sob processo de diligência que eventualmente poderá reduzir o preço negociado de 2 bilhões de reais, a ser pago em até seis anos, disse o executivo.
As ações do BRB quase dobraram de valor com a notícia do acordo. No entanto, a falta de aprovação regulatória prévia levantou questões sobre o futuro dos ativos remanescentes do Banco Master.
O Master vinha adotando uma estratégia agressiva de crescimento financiada com certificados de depósito de alto rendimento e forte alocação de capital em precatórios, que são ordens de pagamento emitidas pelo Judiciário para quitar dívidas de entes públicos.
Costa disse que o BRB selecionou apenas ativos alinhados com sua atual estratégia de expansão de negócios e base de clientes, excluindo precatórios, direitos creditórios sobre processos judiciais e fundos de investimento contendo ações de empresas, sem conexão com seus planos.
Essa decisão deixou cerca de R$23 bilhões em ativos fora do acordo com o Master, que estava em negociação desde janeiro, disse ele.
“Esta foi uma das condições do nosso contrato”, afirmou Costa em entrevista por telefone.
O BTG Pactual demonstrou interesse em alguns dos ativos do Banco Master que o BRB recusou, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto. Em comunicado ao mercado nesta terça-feira , o BTG disse que “sempre analisa oportunidades de consolidação no mercado financeiro que possam trazer valor aos seus acionistas e tenham o suporte do reguladores”.




