Argentina: dólar salta mais de 10% após flexibilização de controle cambial

Argentina: dólar salta mais de 10% após flexibilização de controle cambial

O peso argentino recuava mais de 10% nesta segunda-feira (14), enquanto os títulos avançavam, depois que o país fechou um programa de empréstimo de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e desfez grande parte de seus controles cambiais e de capital na sexta-feira (11).

Por volta das 16h10, o dólar subia 11,22% ante a moeda argentina, cotado a 1.194,50 pesos.

A queda do peso, em linha com as previsões de operadores, ocorreu depois que o banco central argentino desfez seu chamado “crawling peg” e mudou para uma faixa de negociação muito mais ampla, de 1.000 a 1.400 pesos por dólar, permitindo que a moeda flutue livremente dentro dessa faixa.

A moeda havia fechado em 1.074 por dólar na sexta-feira, embora as taxas paralelas, frequentemente usadas por argentinos e empresas locais para acessar dólares devido aos rígidos controles de capital em vigor desde 2019, estivessem próximas de 1.350 por dólar.

Os títulos internacionais do país, por sua vez, se recuperavam, com alguns vencimentos ganhando mais de US$ 0,04, de acordo com dados da MarketAxess.

O apoio do FMI é visto como um estímulo à confiança geral e a remoção dos controles pode ajudar a estimular o investimento.

“Esperamos uma reação positiva do mercado aos anúncios feitos na sexta-feira”, disse o Goldman Sachs em uma nota no domingo (15), acrescentando que a nova taxa de câmbio flutuante “superou nossas expectativas”.

“Isso pode contribuir positivamente para a sustentabilidade de médio prazo do programa de ajuste macroeconômico que está sendo implementado na Argentina”, acrescentou.

O acordo com o FMI liberará um montante inicial de US$ 12 bilhões, com mais US$ 3 bilhões a serem liberados no final do ano. A Argentina também anunciou grandes acordos de empréstimo com outros credores e bancos multinacionais que devem ajudar a reforçar suas reservas de moeda estrangeira esgotadas.

O país está saindo de uma grande crise econômica sob o comando do presidente Javier Milei, que assumiu o cargo no final de 2023 e conseguiu estabilizar a economia com uma política de austeridade e disciplina fiscal.

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