Em 1980, o Relatório Brandt dividiu o mundo em “Norte” e “Sul” com base no desenvolvimento econômico.
A ideia floresceu para substituir o termo “Terceiro Mundo”, que foi muito usado nas décadas de 60 e 70, e carregava conotações negativas e muitas vezes estava ligado à Guerra Fria (com “Primeiro Mundo” sendo os países capitalistas ricos e “Segundo Mundo” os socialistas).
Para mudar essa realidade, os países do chamado “Terceiro Mundo” iniciaram uma organização política, como no Movimento dos Não-Alinhados e no Grupo dos 77 (G77) na ONU, buscando mais autonomia e voz no cenário internacional.
Então, através de uma construção coletiva e progressiva, utilizando raízes políticas, econômicas e acadêmicas, nasceu o termo Global South.
O “Sul Global” é uma forma de se reconhecerem os países que enfrentaram, historicamente, maior desigualdade econômica, colonização ou marginalização geopolítica — geralmente localizados na África, América Latina, Caribe, Ásia e Oceania (com exceções).
O nome pode lembrar a separação da divisão Norte/Sul, como algo geográfico. Contudo, não se baseia literalmente no mapa-múndi. Um exemplo é a Austrália, que está no Hemisfério Sul, mas é considerada parte do “Norte Global” por seu nível de desenvolvimento.
Enquanto isso, Índia e China — todos no Hemisfério Norte — são considerados parte do Sul Global.
A utilização da expressão está sempre em debates sobre desigualdade global, mudança climática, cooperação Sul-Sul e representatividade política, especialmente por instituições multilaterais, ONGs e acadêmicos críticos do modelo de desenvolvimento ocidental.
Nos dias 19 a 21 de março, foi realizado o Fórum Global de Financiadores do Sul 2025, sob o lema “Iluminar o Sul”. Sediado em Pequim, contou com a participação de chefes de instituições, especialistas e líderes da indústria do setor financeiro nacional e internacional em torno do debate sobre “finanças inclusivas e escolha do caminho de desenvolvimento industrial de novas energias”.
Eu fui indicado pelo grupo Europeu de comunicação Media Nove para estar ao lado da maior empresa de comunicação da China, Xinhua Silk Road, para ouvir as maiores autoridades chinesas e líderes econômicos do Nepal, Cazaquistão, Quênia, Congo, Serra Leoa, África do Sul, Angola e outros países sobre os planos para o Global South.




