Agricultura defende crédito rural em dólar via BNDES para reduzir custos

Agricultura defende crédito rural em dólar via BNDES para reduzir custos

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) defende a ampliação do crédito rural em dólar oferecido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como uma alternativa viável para reduzir os custos financeiros dos produtores.

Em entrevista, o assessor especial do Mapa e presidente do conselho da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Carlos Augustin, argumenta que a modalidade pode ser mais vantajosa do que o crédito tradicional em reais.

Ele avalia que o agricultor brasileiro tem que “fugir” do atual patamar da taxa de juros no Brasil e migrar para uma linha de crédito de dólar mais juro de 8% ou 9% – que seria o cobrado no mercado internacional.

“Estamos objetivando dólar na agricultura. O agricultor não está tomando dólar, ele tem medo. Quem planta soja, milho, algodão, não precisa ter medo. Vamos tentar convencer, fazer uma grande campanha, porque o BNDES já tem essa linha, não é cara, é em torno de dólar + 8% ou 9%, que são os preços internacionais do juro”, disse.

“Nós temos que fugir do juro [brasileiro], nós não podemos pagar juro de 14% [atual patamar da Selic], nós temos que fugir desse juro do mercado interno e achar uma outra maneira de atender as necessidades [dos produtores].”

Segundo Augustin, os recursos internacionais captados pelo BNDES podem proporcionar taxas mais competitivas para o setor agropecuário. Ele explicou que o banco obtém esses recursos no mercado externo, onde as taxas de juros são menores do que as praticadas internamente.

Para tornar esses financiamentos acessíveis aos produtores, o BNDES aplica um spread de 1% sobre os valores captados e os bancos que intermediam a operação adicionam sua própria margem. Dessa forma, a taxa final para o agricultor depende do custo inicial da captação.

Se os mercados internacionais oferecem crédito a 5% ao ano, o agricultor brasileiro pode acessar o financiamento a 8,5%. Caso a captação ocorra a 4%, o custo final para o produtor fica em torno de 7,5%.

O diferencial desse modelo está na possibilidade de fugir da taxa básica de juros do país. Augustin destaca que o Brasil ainda não aproveita essa alternativa de forma significativa.

“É uma fonte inesgotável e não estamos aprendendo a usá-la. E no custeio, também podemos fazer. No financiamento de máquinas, por exemplo, emprestamos no primeiro ano R$ 8 bilhões e no segundo ano R$ 7 bilhões. Esse é um grande trabalho que temos que ampliar e vamos fazer essa campanha, que acho que vale a pena”, defendeu.

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