Concentração bancária encarece vida do brasileiro, dizem especialistas

Concentração bancária encarece vida do brasileiro, dizem especialistas

A concentração bancária no Brasil é histórica e costuma pautar debates diante dos efeitos negativos na vida dos consumidores, sobretudo no encarecimento do serviço ao cliente. Analistas levantam outros efeitos da baixa concorrência, como a pressão por juros elevados.

Dados do Banco Central (BC) mostram que, entre 2002 e fevereiro de 2024, foram analisadas 121 operações de fusão ou aquisição no setor bancário — 57 delas apenas nos últimos dez anos, a maioria envolvendo grandes bancos.

“O impacto imediato [desse processo] é a concentração de instituições financeiras. Com menos concorrência, os juros seguem elevados e as tarifas bancárias também”, explica Emanuel Pessoa, advogado especialista em direito empresarial.

“O fôlego financeiro para aquisição está nas mãos das maiores instituições. Aí o ciclo se alimenta: ao comprarem outras instituições, aumentam a sua capacidade de obter financiamento para comprar outras, agilizando a concentração de mercado”, conclui.

Processos de fusões ocorrem em todos os mercados, lembra o professor da FIA Business School Carlos Honorato. Mas, no setor financeiro, segundo ele, os impactos aos brasileiros é maior diante do reflexo de menor concorrência e oferta de crédito.

“Aos grandes grupos e grandes conglomerados é muito bom. Esses grandes grupos, cada vez que se integram, esse ganho de escala faz com que aumente a lucratividade, aumente o resultado”, explica o professor da FIA.

“Ao público é ruim porque você tem menor oferta de serviços disponíveis. Toda vez que tem uma concentração, as opções diminuem. Em mercado oligopolista, o preço fica parecido, sem grandes diferenças, e o consumidor acaba pagando mais caro. Com mais concorrência, os custos ficam menores”, resume.

Segundo o mais recente Relatório de Economia Bancária do BC, os quatro maiores bancos do Brasil (Caixa, BB, Itaú e Bradesco) detinham, em 2023, 57,8% das operações de crédito e 57,9% dos depósitos totais.

Apesar de registrar uma leve queda na concentração bancária, o BC destacou que o nível de rentabilidade das instituições continua fortemente associado ao tamanho delas.

O ROE (retorno sobre capital) é um indicador estratégico para os bancos, já que indica o quanto a empresa conseguiu de retornos dado o patrimônio líquido atual, daquele período.

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