As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira (10) em alta, em especial entre os contratos com prazos mais longos, em uma sessão marcada por novos dados econômicos dos EUA e do Brasil e contaminada pela guerra tarifária desencadeada pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
Após os ativos brasileiros terem reagido positivamente na véspera à pausa por 90 dias da cobrança de algumas tarifas pelos EUA, nesta quinta eles foram penalizados, acompanhando as quedas das bolsas e das commodities no exterior, além do avanço do dólar ante moedas como o real.
No fim da tarde desta quinta-feira a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2026 — um dos mais líquidos no curto prazo — estava em 14,795%, em leve baixa de 2 pontos-base ante o ajuste de 14,817% da sessão anterior, enquanto a taxa para janeiro de 2027 marcava 14,53%, ante o ajuste de 14,487%.
Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2031 estava em 14,76%, ante 14,56% do ajuste anterior, e o contrato para janeiro de 2033 tinha taxa de 14,89%, em alta de 16 pontos-base ante 14,674%.
Pela manhã, o Departamento do Trabalho dos EUA informou que o índice de preços ao produtor (CPI, na sigla em inglês) caiu 0,1% em março, depois de ter subido 0,2% em fevereiro. Nos 12 meses até março, o índice avançou 2,4%, de 2,8% em fevereiro. Economistas consultados pela Reuters previam altas mensal de 0,1% e anual de 2,6%.
Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o volume de serviços teve em fevereiro alta de 0,8%, devolvendo a contração de 0,6% em janeiro. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o volume registrou ganho de 4,2%. Os resultados ficaram acima das expectativas em pesquisa da Reuters, de altas de 0,1% no mês e de 3,3% no ano.
“Os dados econômicos têm tido um pouco menos de peso em função da influência das tarifas, mas os números foram bem importantes hoje. O CPI veio abaixo do esperado, e embora ele seja insuficiente para o Federal Reserve tomar qualquer decisão sobre juros, não deixa de ser uma boa notícia”, comentou Laís Costa, analista da Empiricus Research, chamando atenção para a queda dos rendimentos dos Treasuries mais cedo.
“No Brasil é o contrário, porque a atividade está forte, como mostraram os dados de hoje. De todo modo, estamos flutuando muito ao redor do que será ou não a tarifa dos EUA”, acrescentou.
Como na véspera a sessão foi marcada por queda firme do dólar ante o real e por uma desaceleração forte das taxas futuras, na esteira da pausa nas tarifas, nesta quinta o dia foi de ajustes de alta para o dólar ante o real e de elevação das taxas dos DIs, em especial na ponta mais longa da curva.
O movimento refletiu a percepção de que, apesar do adiamento, o cenário de guerra comercial entre Estados Unidos e China — os dois principais combatentes neste momento — não será necessariamente positivo para o Brasil. No mercado internacional o petróleo caía em torno de 3% e o farelo de soja cedeu mais de 1% — ambos produtos importantes para a pauta exportadora brasileira.




