Dólar vai a R$ 5,90 com incertezas mesmo após pausa tarifária; bolsa cai

Dólar vai a R$ 5,90 com incertezas mesmo após pausa tarifária; bolsa cai

O dólar à vista tinha alta e atingia R$ 5,90 nesta quinta-feira (10), mesmo após a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, na véspera, de pausar algumas de suas tarifas, enquanto investidores também analisam dados de inflação da maior economia do mundo.

Às 10h47, o dólar à vista subia 1,15%, a R$ 5,8885 na venda. Na máxima do dia, a moeda norte-americana atingiu R$ 5,9104.

No mesmo horário, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, caía 0,56%, a 127.084,16 pontos.

Já as bolsas pelo mundo se recuperavam, sendo que, desde o dia 2 de abril, chamado de “Dia da Libertação” por Trump, os mercados têm sido fortemente impactados, com quedas generalizadas e perdas bilionárias para empresas do mundo todo.

Trump anunciou uma pausa de 90 dias em muitas de suas novas tarifas recíprocas, com exceção da China. Além de deixar o país de fora do período de trégua, o presidente americano elevou para 125% as tarifas cobradas contra o gigante asiático.

Pequim havia imposto tarifas de 84% sobre as importações dos EUA para igualar a cobrança anterior de Trump.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também anunciou nesta quinta que a UE fará uma pausa em suas primeiras contramedidas contra as tarifas dos EUA, o que causou euforia nos mercados europeus.

Na véspera, o dólar fechou em baixa de 2,53%, a R$ 5,8467, interrompendo uma sequência de três sessões de fortes ganhos.

Os principais índices de Wall Street abriram em baixa nesta quinta-feira, depois dos fortes ganhos na véspera devido à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reduzir temporariamente as pesadas tarifas sobre dezenas de países.

O Dow Jones caía 1,51% na abertura, para 39.996,93 pontos.

O S&P 500 abriu em baixa de 1,90%, a 5.353,15 pontos, enquanto o Nasdaq Composite recuava 2,86%, para 16.635,454 pontos na abertura.

A reviravolta ocorreu menos de 24 horas após a entrada em vigor de novas tarifas sobre a maioria dos parceiros comerciais, levando o S&P 500 ao seu maior ganho percentual em um único dia desde 2008. O Nasdaq registrou seu maior salto diário desde 2001.

“A guerra comercial está agora se transformando em um confronto direto entre os EUA e a China… podemos ver novamente uma escalada e uma redução da escalada ao mesmo tempo, puxando os mercados em direções diferentes”, disseram analistas do Rabobank.

Na Europa

O índice pan-europeu STOXX 600 saltava 5,6% após perder 12,5% desde que as tarifas entraram em vigor em 2 de abril até o último fechamento.

A suspensão das tarifas sobre dezenas de países ocorreu menos de 24 horas após sua entrada em vigor. Ainda assim, a Casa Branca manteve uma tarifa geral de 10% sobre quase todas as importações dos EUA.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, comemorou a medida de Trump um dia depois que a União Europeia disse que imporia tarifas de 25% sobre uma série de importações dos EUA na primeira rodada de contramedidas, após a entrada em vigor das taxas específicas de cada país.

Nesta quinta, Von der Leyen disse em um comunicado no X que a União Europeia suspenderá por 90 dias suas primeiras contramedidas.

Na Ásia

Os mercados acionários da China e de Hong Kong fecharam em alta nesta quinta-feira, com os investidores minimizando o mais recente aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre as importações chinesas.

No fechamento, o índice de Xangai teve alta de 1,16%, enquanto o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 1,31%. O índice Hang Seng, de Hong Kong, subiu 2,06%.

A alta nas ações de Hong Kong seguiu-se aos ganhos de 6% nas empresas chinesas de internet listadas no mercado dos EUA.

“Embora seja óbvio que as tarifas tenham como alvo a China, ainda há espaço para manobras e negociações se conseguirem suspender as taxas sobre outros países”, disse Jason Chan, estrategista sênior de investimentos do Bank of East Asia.

Agenda do dia

Os investidores também reagiam aos dados de inflação ao consumidor nos EUA, que registraram números abaixo do esperado tanto para o índice geral quanto para o núcleo.

Em março, o índice de preços ao consumidor dos EUA caiu 0,1% em relação ao mês anterior, de alta de 0,2% em fevereiro e abaixo da projeção em pesquisa da Reuters de ganho de 0,1%. O núcleo do índice passou a subir 0,1%, abaixo da previsão de alta de 0,3%.

Operadores aumentaram suas apostas em cortes na taxa de juros pelo Federal Reserve, projetando 1 ponto percentual de afrouxamento até o fim deste ano, contra previsão de 0,75 ponto na quarta, o que também ajudava a derrubar o dólar no exterior.

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