Dólar abre em leve alta após pausa em tarifas; bolsas no mundo se recuperam

Dólar abre em leve alta após pausa em tarifas; bolsas no mundo se recuperam

O dólar à vista apresentava alta em relação ao real nas primeiras negociações desta quinta-feira (10), com os investidores ainda reagindo à decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de suspender algumas de suas tarifas, enquanto aguardam dados de inflação da maior economia do mundo.

Às 9h24, o dólar à vista subia 0,34%, cotado a R$ 5,8414 na venda. Na sessão anterior, o dólar fechou em baixa de 2,53%, a R$ 5,8467, interrompendo uma sequência de três sessões de ganhos expressivos.

As bolsas mundiais mostravam recuperação, após o dia 2 de abril, denominado “Dia da Libertação” por Trump, ter impactado fortemente os mercados, com quedas generalizadas e perdas bilionárias para empresas em todo o mundo.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que a UE fará uma pausa em suas primeiras contramedidas contra as tarifas dos EUA, o que gerou otimismo nos mercados europeus.

A suspensão anunciada por Trump excluiu a China, principal concorrente dos EUA nas disputas comerciais. Além de deixar o país de fora do período de trégua, o presidente americano elevou para 125% as tarifas cobradas contra o gigante asiático. Apesar disso, os mercados do Pacífico registraram alta nesta quinta-feira.

Nos Estados Unidos, os futuros de Wall Street apresentavam queda após forte recuperação na sessão anterior, impulsionada pela decisão de Trump. O Nasdaq, por exemplo, registrou seu maior salto diário desde 2001.

O índice pan-europeu STOXX 600 saltava 5,6% após perder 12,5% desde a entrada em vigor das tarifas em 2 de abril até o último fechamento.

A suspensão das tarifas sobre dezenas de países ocorreu menos de 24 horas após sua implementação. No entanto, a Casa Branca manteve uma tarifa geral de 10% sobre quase todas as importações dos EUA.

Ursula von der Leyen celebrou a medida de Trump um dia após a União Europeia anunciar que aplicaria tarifas de 25% sobre uma série de importações dos EUA na primeira rodada de contramedidas, após a entrada em vigor das taxas específicas de cada país.

Von der Leyen informou em um comunicado que a União Europeia suspenderá por 90 dias suas primeiras contramedidas.

Na Ásia

Os mercados acionários da China e de Hong Kong fecharam em alta nesta quinta-feira, com os investidores minimizando o recente aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre as importações chinesas.

No fechamento, o índice de Xangai teve alta de 1,16%, enquanto o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 1,31%. O índice Hang Seng, de Hong Kong, subiu 2,06%.

A alta nas ações de Hong Kong ocorreu após os ganhos de 6% nas empresas chinesas de internet listadas no mercado dos EUA, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, reduziu temporariamente as tarifas que havia imposto a dezenas de outros países.

Simultaneamente, Trump aumentou as tarifas sobre a China para 125%, em relação ao nível de 104% que entrou em vigor na quarta-feira.

“Embora seja óbvio que as tarifas têm como alvo a China, ainda há espaço para manobras e negociações se conseguirem suspender as taxas sobre outros países”, afirmou Jason Chan, estrategista sênior de investimentos do Bank of East Asia.

Futuros americanos

Os futuros dos índices acionários dos Estados Unidos recuavam nesta quinta-feira, após uma forte recuperação na sessão anterior.

A reviravolta ocorreu menos de 24 horas após a entrada em vigor de novas tarifas sobre a maioria dos parceiros comerciais, levando o S&P 500 ao seu maior ganho percentual em um único dia desde 2008. O Nasdaq registrou seu maior salto diário desde 2001.

Trump também anunciou uma pausa de 90 dias em muitas de suas novas tarifas recíprocas, mas aumentou as taxas sobre as importações chinesas de 104% para 125% na quarta-feira. Pequim havia imposto tarifas de 84% sobre as importações dos EUA para igualar a cobrança anterior de Trump.

“A guerra comercial está agora se transformando em um confronto direto entre os EUA e a China… podemos ver novamente uma escalada e uma redução da escalada ao mesmo tempo, puxando os mercados em direções diferentes”, comentaram analistas do Rabobank.

O futuro do S&P 500 caía 1,79%, enquanto o contrato futuro do Nasdaq 100 tinha queda de 2,12%, e o futuro do Dow Jones recuava 1,32%.

Agenda do dia

As atenções ao longo do dia também se voltarão para a divulgação de dados econômicos dos EUA, com destaque para os dados de inflação ao consumidor para março e de pedidos iniciais de auxílio-desemprego, ambos a serem divulgados às 9h30.

Na cena doméstica, o dia conta com a divulgação de dados do setor de serviços para fevereiro pelo IBGE, às 9h.

Agentes financeiros também estarão de olho em teleconferência de resultados do banco BRB, às 10h.

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