Uma pesquisa revelou que 70% das mulheres já renunciaram a um sonho devido à falta de recursos financeiros. O levantamento foi realizado pelo projeto “Sonhe Como Uma Garota”, idealizado pela produtora cultural Camila Alves e financiado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), em colaboração com o Instituto Think Olga.
O estudo “Sonhe Como Uma Garota: uma análise intergeracional dos desejos femininos” investigou os sonhos de 1.080 brasileiras, de todas as regiões do país, nas faixas etárias de 18 a 29 anos, 30 a 49 anos e 50+. As entrevistadas responderam a perguntas sobre seus desejos atuais e da infância, bem como seus sonhos para o futuro.
De acordo com a pesquisa, 75% das entrevistadas já desistiram de algum sonho, sendo a falta de recursos financeiros o principal motivo para o abandono. A discriminação também foi apontada como um obstáculo, afetando a realização dos desejos de quase metade das participantes (46%). As formas de discriminação mais citadas foram o machismo e a discriminação por classe social.
O estudo indica que as classes sociais mais baixas sentem mais o impacto da discriminação na realização de seus sonhos, com 50,4% das pessoas das classes DE relatando que o preconceito afetou negativamente sua capacidade de realizar sonhos. Para as classes AB, esse número foi menor, de 37,1%.
O levantamento também mostrou que o apoio familiar é considerado um fator essencial para a realização de sonhos: um quarto das mulheres já abandonou um sonho por falta de apoio da família. Para o grupo geral, esse número é de 19%.
Para 70% das entrevistadas, sonhar era mais fácil na infância. Segundo o estudo, as mulheres desejam mais oportunidades e segurança para alcançar seus objetivos:
- 64% acreditam que as políticas públicas precisam melhorar o acesso ao trabalho, ao empreendedorismo e oferecer flexibilidade no trabalho para as mulheres;
- 59% acreditam que é preciso investir em educação de qualidade e capacitação para a realização de sonhos;
- 52% precisam de mais segurança e enfrentamento à violência de gênero.
Apesar dos desafios atuais, 88% das participantes acreditam que puderam sonhar mais alto do que suas mães e avós. O mesmo percentual afirmou perceber impactos positivos das mudanças sociais e do movimento feminista nas oportunidades e possibilidades de novos sonhos.
Segundo o levantamento, todas as mulheres sonhavam em viajar para conhecer o mundo quando crianças. O desejo permaneceu ao longo da juventude para 51% das mulheres entre 30 e 49 anos, e para 45% daquelas com mais de 50 anos. O desejo ainda é atual para 67% das mulheres entre 18 e 29 anos e para 59% das participantes das demais faixas etárias.
O estudo também revelou que as diferentes fases da vida e as mudanças de prioridade impactam quase todos os sonhos. Além de viajar — sonho que se manteve em primeiro lugar em todas as faixas etárias –, para mulheres com mais de 50 anos, o principal desejo é garantir saúde física e bem-estar mental (56%), enquanto para as faixas etárias mais jovens (18-29 e 30-49) ter estabilidade financeira é o principal desejo (60% e 53%, respectivamente).
Exposição mostrará dados da pesquisa e histórias inspiradoras
Além do lançamento da pesquisa, o projeto “Sonhe Como Uma Garota” inaugura uma exposição na Biblioteca Parque Villa-Lobos a partir deste sábado (8). A mostra propõe um percurso narrativo e visual onde arte, poesia, humor e ciência se encontram para ressignificar o papel das mulheres na sociedade.
Além dos dados do levantamento, a exposição apresenta histórias reais de 13 mulheres que fazem a diferença em diversas áreas, desde a ciência e a educação até a arte e o ativismo social. Em um ambiente imersivo e sensorial, o público será convidado a conhecer essas trajetórias por meio de uma linguagem inspirada na estética circense, tornando a experiência envolvente, acessível e cheia de encantamento.
Um dos destaques da exposição é a apresentação biográfica de mulheres extraordinárias, transformadas em ficção pelas escritoras Gabriela Romeu e Penélope Martins, e interpretadas por artistas da palhaçaria.
Dentre as personalidades homenageadas estão a arqueóloga paraense Edithe Pereira, a educadora paulistana Ketiene da Silva, a cientista baiana Jaqueline Goes de Jesus, a cordelista cearense Auritha Tabajara, a poeta carioca Roseana Murray, entre outras. Além da interpretação cênica das biografias, a exposição contará com uma série de instalações.
Exposição “Sonhe Como Uma Garota”
- Data: 8 a 30 de março de 2025
- Local: Biblioteca Parque Villa-Lobos
- Endereço: Av. Queiroz Filho, 1205 – Alto de Pinheiros, São Paulo – SP
- Horário: 10h às 18h
- Entrada gratuita




