Entenda por que batom virou símbolo da direita

Entenda por que batom virou símbolo da direita

O batom se tornou um símbolo das lideranças de direita, sendo amplamente utilizado no ato que ocorreu na Avenida Paulista, em São Paulo, em defesa da anistia para os envolvidos nos eventos de 8 de Janeiro.

O objeto ganhou destaque como referência ao caso da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, que usou um batom para escrever “perdeu, mané” na escultura “A Justiça”, em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 8 de janeiro de 2023.

Durante um discurso na manifestação, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, segurando um batom, afirmou que “o batom representa Débora”.

Michelle já havia publicado um vídeo com um batom na mão, pedindo “anistia já“, dias antes do ato, publicação utilizada em um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

No vídeo, Nikolas compara o caso de Débora com o de Rosa Parks, símbolo do movimento dos direitos civis negros nos Estados Unidos, que se recusou a ceder lugar a um homem branco em um ônibus, sendo presa por violar a lei da segregação. O caso de Parks foi utilizado em manifestações contra a segregação.

“Lá, foi um ônibus. Aqui, um batom”, diz o vídeo do deputado, que alcançou mais de 54 milhões de visualizações.

No sábado (5), o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) rebateu Nikolas Ferreira, afirmando que a anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro “não é para salvar a mulher do batom, é para salvar Bolsonaro da prisão”.

Débora Rodrigues dos Santos, conhecida por escrever a frase “perdeu, mané” na estátua do STF, durante os atos antidemocráticos de 8 de Janeiro, deixou o Centro de Ressocialização Feminino de Rio Claro, no interior de São Paulo, em 28 de março.

Ela estava presa desde março de 2023, mas o ministro Alexandre de Moraes concedeu prisão domiciliar a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

No mês anterior, Moraes votou para condená-la a 14 anos de prisão, ao pagamento de uma multa de aproximadamente R$ 50 mil e a uma indenização de R$ 30 milhões por danos morais coletivos.

Débora se tornou um símbolo de parlamentares e políticos que apoiam o projeto de lei que pede a anistia para os envolvidos no 8 de Janeiro.

Em outubro do ano passado, ela encaminhou um pedido de desculpas ao ministro Alexandre de Moraes. A defesa dela solicitou a liberdade provisória, mas a PGR se manifestou contra a soltura, sendo favorável à substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar.

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