Taxa de conciliação na Justiça do Trabalho cresce após CNJ atualizar regras

Taxa de conciliação na Justiça do Trabalho cresce após CNJ atualizar regras

Uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) resultou em um aumento no número de conciliações na Justiça do Trabalho, passando de 18% para 22%. Essa melhora está relacionada à redução de processos para acordos entre empregados e empregadores.

A norma, publicada em outubro do ano passado, estabelece que um acordo ajustado entre as partes na rescisão do contrato de trabalho será considerado quitado a partir da homologação pela Justiça do Trabalho. Isso significa que fica vedada qualquer reclamação trabalhista futura sobre os termos do acordo.

“A lógica que preside a resolução é de que há uma necessidade pelo menos de uma reflexão da sociedade brasileira no sentido de encontrar soluções que sejam mais uma decorrência do diálogo, do entendimento e de uma conciliação que seja efetiva”, explica o juiz Alexandre Teixeira, conselheiro do CNJ.

O texto aprovado pelo plenário do CNJ foi construído após um amplo diálogo com representantes do Tribunal Superior do Trabalho (TST), do Ministério Público do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego, da Ordem dos Advogados do Brasil, de instituições acadêmicas, de centrais sindicais e de confederações patronais.

A resolução considera que o acordo a ser levado para homologação pode resultar de negociação direta ou de mediação pré-processual. Para que o ajuste tenha validade, os envolvidos devem estar acompanhados de advogados. Trabalhadores menores de 16 anos ou incapazes devem contar com a assistência dos pais, de curadores ou de tutores legais.

A homologação depende de provocação aos órgãos judiciários competentes, incluindo os Centros Judiciários de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Cejusc-JT), em conformidade com as resoluções editadas pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT).

Até março, a regra valia apenas para acordos abaixo de 40 salários mínimos – valor médio homologado pela Justiça do Trabalho em 2023. Após seis meses da norma em vigor, a ideia do CNJ é fazer um balanço para avaliar uma ampliação desse valor.

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Aloysio Corrêa da Veiga, avalia que a conciliação é o método mais salutar e mais eficaz na solução de conflitos. Segundo ele, a conciliação deve ser uma preocupação permanente do judiciário como um todo.

“A conciliação como sendo como método ideal para solução de conflitos é um empoderamento das partes. A figura do juiz é apenas para orientar como mediador e traz para solução uma autoridade que é exatamente a autonomia da vontade decidindo o que fazer com seus conflitos de interesse. É uma prática que deve ser repetida sempre, cada vez, mais por todo juiz que recebe na distribuição uma questão controvertida para decidir”

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