A Marisa teve lucro líquido de R$ 5,8 milhões nos últimos três meses do ano passado, encerrando uma sequência de 12 trimestres de prejuízos consecutivos, resultado de uma reestruturação profunda na companhia que se intensificou no segundo semestre de 2024.
“Foram seis meses basicamente de trabalho para ajustar a despesa, melhora receita, portfólio, reposicionar o negócio… A Marisa está mais forte hoje, mais rentável”, afirmou o presidente-executivo da rede de varejo de moda, Edson Garcia, que assumiu o posto cerca de um ano atrás.
No período, a companhia redefiniu público-alvo (classe C), normalizou a cadeia de fornecedores e ajustou o sortimento de produtos, disse o executivo.
E para 2025 Garcia citou que o cenário é mais desafiador do ponto de vista macro, com juros e inflação em patamares ainda elevados, além da perspectiva de desaceleração da economia, mas que a empresa vai buscar aumentar sua participação de mercado.
No ano passado, entre as mudanças, a Marisa retomou o foco para mulheres da classe C e suas famílias, renegociou dívidas com fornecedores e quitou obrigações, ampliou o portfólio de produtos, reformulou o layout das lojas e adotou um novo modelo de planejamento e abastecimento. Em 2024, a companhia também recebeu R$ 622 milhões dos acionistas.
Para este ano, o plano é estabilizar a operação. “Tem muito foco em tudo que a gente construiu, ter consistência na execução”, afirmou Garcia em entrevista à Reuters, descartando eventual expansão do parque de lojas, que somaram 234 unidades em 2024, de 243 um ano antes.. “Devemos falar (sobre expansão) daqui a uns dois anos, talvez. Nesse momento, não”.
A Marisa reduziu significativamente os investimentos em 2024, para R$ 4,4 milhões, de R$ 15,7 milhões um ano antes, redirecionando os recursos financeiros para a quitação de dívidas com fornecedores e para a reestruturação de lojas e áreas administrativas. No quarto trimestre, houve uma queda de 64% no investimento, para R$ 800 mil.
O lucro de R$ 5,8 milhões, após prejuízo de R$ 112 milhões no quarto trimestre de 2023, também foi ajudado pela contabilização não recorrente de créditos tributários, o que ajudou a linha “outras receitas (despesas) operacionais”, que teve um resultado líquido positivo de R$ 43,9 milhões, contra um desempenho negativo de R$ 64,4 milhões um ano antes.




