As taxas dos DIs fecharam a sexta-feira (28) em alta, em especial entre os contratos curtos, após dados sobre o mercado de trabalho brasileiro sugerirem que a economia segue acelerada, o que é uma má notícia para o controle da inflação.
Entre os contratos longos as taxas terminaram com altas mais leves, em função do contrapeso trazido pela queda forte dos rendimentos dos Treasuries no exterior.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2026 — um dos mais líquidos no curto prazo — estava em 15,11%, ante o ajuste de 15,03% da sessão anterior, enquanto a taxa para janeiro de 2027 marcava 15,05%, em alta de 15 pontos-base ante o ajuste de 14,904%.
Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2031 estava em 14,89%, ante 14,837% do ajuste anterior, e o contrato para janeiro de 2033 tinha taxa de 14,88%, ante 14,844%.
Desde cedo as operações no Brasil ocorriam em meio à expectativa de que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontaria para a geração de mais de 400 mil novos postos de trabalho com carteira assinada em fevereiro.
O número que circulava pelas mesas era bem mais robusto que as projeções dos economistas, o que impulsionou as taxas futuras em toda a curva a termo.
Divulgado às 14h30 pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Caged não decepcionou, mostrando a abertura de 431.995 vagas formais em fevereiro, bem acima da expectativa de economistas apontada em pesquisa da Reuters, de criação líquida de 250.000 vagas.
Embora os números fortes do Caged sugiram dificuldades para o Banco Central controlar a inflação — o que em tese se refletiria em maior abertura na curva –, após os dados as taxas futuras perderam força e chegaram a ceder em alguns vértices.
“O pessoal estava ajustando posição considerando um Caged forte desde ontem”, comentou durante a tarde desta sexta-feira Matheus Spiess, analista da Empiricus Research. “Depois que saiu, eles queimaram prêmios.”
Operador de um grande banco de investimentos pontuou que até antes do Caged já “estava no preço” a geração de mais de 400 mil postos. Quando saíram os números, parte do mercado “colocou no bolso”.
A taxa do DI para janeiro de 2027, por exemplo, estava em 15,10% (+20 pontos-base ante o ajuste da véspera) às 14h30 — exatamente quando os números saíram –, mas às 15h06 já havia caído à mínima de 14,96% (+6 pontos-base do ajuste).




