A meliponicultura, ou criação de abelhas sem ferrão, tem sido impulsionada na Amazônia pelo projeto Amigo das Abelhas da Amazônia do Instituto Peabiru desde 2007, capacitando moradores ribeirinhos para essa prática fundamental na polinização da floresta. Estima-se que existam 114 espécies de abelhas sem ferrão apenas no bioma amazônico, representando cerca de 19% das espécies conhecidas no planeta.
As abelhas manejadas na Amazônia são de grande porte, dóceis e fáceis de cuidar. O projeto implementa meliponários diretamente nas casas dos ribeirinhos, promovendo educação, mudança de hábitos e conscientização ambiental.
Thiara Fernandes, engenheira agrônoma da iniciativa, relata resultados positivos nas famílias, principalmente na educação ambiental, com a substituição de hábitos como a queima de lixo por práticas mais sustentáveis devido à presença das abelhas.
Atualmente, mais de 120 produtores em 20 comunidades do Pará e do Amapá foram capacitados na meliponicultura, garantindo uma alternativa de renda sustentável e contribuindo para a conservação da floresta.
Carlos Teles, agricultor e produtor beneficiado pelo projeto, expressa satisfação em trabalhar com as abelhas, reconhecendo sua importância para a sobrevivência da natureza. Ele destaca que a presença dos meliponários incentivou o plantio de novas espécies nativas em áreas que antes eram desmatadas.
A relação entre abelhas e floresta é simbiótica, exigindo a manutenção da vegetação nativa para a prosperidade das colmeias. As comunidades passam a ver a floresta como aliada na geração de renda e qualidade de vida, em vez de um recurso a ser explorado.
Carlos explica que, com as abelhas, a necessidade de preservar se torna mais evidente. A comunidade começou a plantar urucum e outras plantas que auxiliam na produção de mel, percebendo a diferença e confirmando que estão no caminho certo.
A iniciativa reforça que a preservação da Amazônia envolve soluções locais protagonizadas por quem vive na floresta, além de grandes políticas ambientais.




