Juros longos sobem com IPCA e alta dos rendimentos dos Treasuries

Juros longos sobem com IPCA e alta dos rendimentos dos Treasuries

As taxas dos DIs fecharam a quarta-feira (12) em alta, em especial entre os vencimentos mais longos, refletindo a inflação ainda pressionada no Brasil e o avanço dos rendimentos dos Treasuries no exterior, em meio à guerra de tarifas entre os Estados Unidos e seus parceiros comerciais.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2026 – um dos mais líquidos no curto prazo – estava em 14,70%, ante o ajuste de 14,70% da sessão anterior, enquanto a taxa para janeiro de 2027 marcava 14,57%, ante o ajuste de 14,54%.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2031 estava em 14,71%, em alta de 12 pontos-base ante 14,59% do ajuste anterior, e o contrato para janeiro de 2033 tinha taxa de 14,72%, ante 14,58%.

No início do dia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA subiu 1,31% em fevereiro, depois de avançar 0,16% em janeiro. O resultado ficou praticamente em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters, de alta de 1,30%, para o índice oficial de inflação.

Em 12 meses até fevereiro o IPCA acumulou taxa de 5,06%, de 4,56% no mês anterior e 5,05% projetados pelos economistas.

Embora tenha vindo em linha com o esperado, o IPCA de fevereiro seguiu indicando uma inflação pressionada no Brasil, inclusive considerando seus componentes.

Os serviços intensivos em mão de obra – que vêm sendo observados de perto pelo Banco Central – subiram 0,63% em fevereiro, conforme cálculo do banco Bmg, que esperava taxa de 0,54%.

A média dos núcleos de inflação variou 0,60%, de acordo com o Bmg, ficando um pouco melhor que o 0,65% esperado, mas ainda assim a percepção geral no mercado era de uma inflação pressionada.

“O IPCA veio em linha, mas na abertura continua mostrando um qualitativo muito ruim”, pontuou a analista Laís Costa, da Empiricus Research. Segundo ela, isso deu certo suporte às taxas dos DIs mais longas.

“O corte (da taxa básica Selic) que o mercado está começando a embutir (na curva) ou em dezembro ou em janeiro (de 2026) não será trivial, não será unânime. Este desconforto eleva a ponta longa”, comentou durante a tarde.

Outro fator para a alta das taxas futuras era o avanço dos rendimentos dos Treasuries no exterior.

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