Previ elege segundo nome para o conselho da Vibra

Previ elege segundo nome para o conselho da Vibra

A Previfundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil — conseguiu eleger um novo nome no conselho de administração da Vibra (antiga BR Distribuidora) e aumentou sua influência na ex-subsidiária da Petrobras.

Na mais recente assembleia geral da Vibra, o fundo de pensão conseguiu manter no conselho da companhia Cláudio Gonçalves, seu diretor de investimentos, e eleger Marcel Juviniano Barros, que é presidente da Associação Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão (Anapar) como representante da Previ.

Sindicalista, Barros foi candidato a deputado estadual pelo PT de São Paulo em 2002 e é graduado em história. Ele ingressou no BB em 1978 e foi secretário-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf).

Na assembleia de acionistas de 2024 da Vibra, o fundo de pensão já havia indicado dois nomes ao conselho da empresa: Cláudio Gonçalves e João Fukunaga, presidente da Previ.

Naquele mesmo dia, a Previ comunicou que iria aumentar sua participação na companhia, saindo de 3,3% para 5%. Desde então, as ações caíram e o prejuízo com a operação supera R$ 500 milhões.

O avanço de sua participação societária deu mais poder à Previ naquela assembleia — em que, a pedido do fundo, foi adotado o “voto múltiplo”, critério que permite aos acionistas concentrar votos em poucos candidatos de uma chapa.

Esses movimentos foram suficientes para eleger Gonçalves. Fukunaga, entretanto, não obteve votos suficientes.

Desde a assembleia de 2024, a Previ expandiu ainda mais sua fatia na companhia: aparece agora com 5,24% na composição acionária da Vibra.

Novamente com o critério de voto múltiplo adotado, desta vez a entidade de previdência foi capaz de eleger dois nomes ao conselho de administração.

Os investimentos da Previ na Vibra contribuíram para o resultado de R$ 14 bilhões negativos no Plano 1 do fundo verificado entre janeiro e novembro do ano passado.

O número levou a uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) e a compra de Vibra entrou na mira da área técnica que cuida do caso.

A privatização da BR Distribuidora ocorreu por etapas. Em 2017, no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB), ela teve uma oferta inicial de ações e passou a contar com sócios privados.

Em 2019, na gestão Jair Bolsonaro (PL), a Petrobras se tornou minoritária ao vender participação na empresa. A petroleira saiu de vez da estatal em 2021, desfazendo-se de suas últimas ações.

De volta ao Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já criticou diversas vezes a perda de controle da BR Distribuidora pela União.

Em fevereiro, ao reclamar de intermediários que “assaltam” o consumidor, fazendo o preço subir entre a produção e as bombas de gasolina, ele abordou novamente o assunto.

“Resolveram vender pedaços da Petrobras e começaram vendendo um grande pedaço chamado BR, nossa distribuidora [de combustíveis], e queriam vender muito mais”, declarou Lula.

Posição da Previ

A entrou em contato com a Previ e solicitou um posicionamento. Em resposta, a entidade afirmou que a decisão de investimento em Vibra, assim como todas da Previ, são baseadas em análises técnicas rigorosas.

A Previ explica ainda o melhor retorno sobre patrimônio como um dos fatores que basearam a decisão.

“O retorno sobre o patrimônio (ROE) de Vibra é de 37%, enquanto de Ultrapar é de 15,76%. Isso significa que Vibra possui uma maior capacidade de gerar valor ao negócio e aos investidores, com base nos seus próprios recursos.”

Sobre a indicação da Previ ao conselho de Vibra, a entidade respondeu que as tomadas de decisões de investimentos não envolvem a participação em conselhos.

“Uma prova disso é que nos últimos ano a Previ desinvestiu de quase 60 empresas, muito delas tradicionais no portfólio da Previ, com vaga em conselhos – como Ambev, Rumo e Ultrapar.”

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